Má alimentação levou à 4 milhões de óbitos por cardiopatia no ano

má alimentação e doenças cardiovasculares

A relação entre má alimentação e doenças cardiovasculares ficou ainda mais evidente após a divulgação de um estudo internacional de 2026, publicado na revista Nature Medicine.

A pesquisa analisou dados de 204 países ao longo de mais de três décadas e chegou a um dado alarmante: somente em 2023, dietas inadequadas estiveram associadas a mais de 4 milhões de mortes por cardiopatia isquêmica no mundo.

Os pesquisadores investigaram como padrões alimentares influenciam a saúde do coração e quais alimentos mais contribuem para o aumento da mortalidade cardiovascular.

O que o estudo descobriu sobre má alimentação e doenças cardíacas

A pesquisa faz parte do estudo global Global Burden of Disease Study, uma das maiores iniciativas científicas do mundo sobre fatores de risco relacionados à saúde.

Os pesquisadores avaliaram 13 fatores alimentares diferentes para entender como a dieta influencia o aumento da mortalidade cardiovascular.

Os dados mostram que, somente em 2023, dietas inadequadas contribuíram para mais de 4 milhões de mortes por cardiopatia isquêmica.

Além disso, quase 97 milhões de anos de vida saudável foram perdidos devido às incapacidades e complicações relacionadas à doença.

Entre os principais fatores ligados ao aumento do risco cardiovascular estavam:

  • Consumo elevado de sódio;
  • Excesso de alimentos ultraprocessados;
  • Ingestão frequente de bebidas açucaradas;
  • Consumo elevado de carnes processadas;
  • Baixa ingestão de frutas;
  • Pouco consumo de vegetais;
  • Deficiência de grãos integrais;
  • Baixa ingestão de nozes e sementes;
  • Pouca presença de gorduras boas, como ômega-3.

Esse padrão alimentar favorece alterações metabólicas, hipertensão, diabetes, obesidade e acúmulo de placas nas artérias.

O estudo completo pode ser lido aqui.

má alimentação e risco cardiovascular

O ultraprocessado aparece novamente como causador do problema

O médico Itamar de Souza Santos, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e um dos autores do estudo, destacou que dietas pobres em alimentos naturais e ricas em industrializados são o principal problema.

Produtos industrializados ricos em açúcar, sódio, gordura refinada e aditivos químicos acabam substituindo alimentos frescos e naturais na rotina da população.

Além da baixa qualidade nutricional, esses alimentos costumam ser hiperpalatáveis, o que dificulta a percepção de saciedade.

Na Ásia Oriental, por exemplo, o impacto das bebidas açucaradas nas mortes cardiovasculares aumentou mais de 360% entre 1990 e 2023.

Já o consumo de carnes processadas também mostrou crescimento expressivo em diferentes regiões do planeta.

Má alimentação também reduz qualidade de vida

Além do aumento da mortalidade cardiovascular, os pesquisadores calcularam quase 97 milhões de DALYs perdidos em 2023.

Esse indicador mede anos de vida comprometidos por incapacidade, doenças e redução da qualidade de vida.

Ou seja, a má alimentação também aumenta o tempo vivido com limitações físicas, problemas cardiovasculares e dependência de tratamentos.

Homens e idosos apresentam maior risco cardiovascular

Os dados revelaram que:

  • Homens apresentaram maior carga de mortalidade ligada à dieta em todas as faixas etárias;
  • Pessoas acima de 65 anos tiveram taxas maiores de morte por cardiopatia isquêmica.

Mas os pesquisadores alertam: os hábitos alimentares começam a produzir impactos muito antes da velhice.

A formação de placas de gordura nas artérias pode começar ainda na juventude, silenciosamente, evoluindo ao longo dos anos até resultar em eventos graves como infarto ou AVC.

O padrão alimentar construído nas primeiras décadas da vida influencia diretamente o risco cardiovascular futuro.

má alimentação e aumento da mortalidade cardiovascular

Impactos da má alimentação em países ricos e pobres

O estudo ressalta que os problemas relacionados à alimentação mudam conforme a realidade econômica.

Em regiões mais pobres, o problema muitas vezes está relacionado ao acesso limitado a alimentos protetores, como frutas, vegetais, peixes, sementes e grãos integrais.

Já nos países mais ricos, o excesso de ultraprocessados costuma ser o principal fator associado às doenças cardiovasculares.

Isso mostra que a má alimentação não depende apenas de escolhas individuais.

Questões econômicas, acesso à informação, políticas públicas e educação nutricional também influenciam os hábitos da população.

Alimentos que ajudam a proteger o coração

Embora o estudo tenha focado nos fatores de risco cardiovascular, ele também reforça quais alimentos contribuem para a proteção.

Entram na lista dos aliados:

  • Frutas e vegetais: Ricos em fibras, vitaminas, antioxidantes e compostos anti-inflamatórios;
  • Grãos integrais: Auxiliam no controle glicêmico, na saciedade e na saúde intestinal;
  • Oleaginosas: Nozes, castanhas e sementes fornecem gorduras boas importantes para o coração;
  • Peixes ricos em ômega-3: Salmão, sardinha e atum ajudam na modulação inflamatória e na saúde vascular;
  • Leguminosas: Feijão, lentilha e grão-de-bico oferecem proteínas vegetais e fibras importantes para o metabolismo.
má alimentação e risco cardiovascular

O Brasil avançou, mas ainda há desafios

Os autores do estudo defendem que políticas públicas e educação nutricional são fundamentais para mudar esse cenário.

Rotulagem mais clara, redução de sódio em produtos e campanhas de conscientização ajudam, mas o letramento em saúde continua sendo essencial para que as pessoas consigam fazer escolhas alimentares conscientes.

No Brasil, avanços importantes aconteceram nos últimos anos, especialmente na discussão sobre ultraprocessados.

Ainda assim, o consumo desses produtos permanece elevado em grande parte da população.

Pequenas mudanças já fazem diferença

Muitas pessoas acreditam que melhorar a alimentação exige mudanças radicais, mas a ciência mostra que ajustes graduais já podem trazer benefícios importantes.

A má alimentação continua sendo um dos principais fatores evitáveis associados às doenças cardíacas no mundo.

Portanto, se você deseja entender quais hábitos podem estar prejudicando sua saúde e construir uma rotina alimentar equilibrada, agende uma consulta com nutricionista clicando aqui.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GLOBAL burden, regional, and national burden of ischemic heart disease attributable to suboptimal diet, 1990–2023: a Global Burden of Disease Study. Nature Medicine. 2026.

Ichtenstein, A. H. et al. 2021 dietary guidance to improve cardiovascular health: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2021.

Pineda, E. et al. Policy implementation and priorities to create healthy food environments using the Healthy Food Environment Policy Index (Food-EPI): a pooled level analysis across eleven European countries. Lancet Region. Health Europe. 2022.

*Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui o diagnóstico ou tratamento de um médico ou nutricionista. As informações apresentadas não devem ser aplicadas sem orientação profissional.

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