Ganho de massa muscular por mês: quantos quilos o corpo consegue construir?

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O ganho de massa muscular por mês costuma ficar entre 0,2 e 0,5 kg de músculo propriamente dito para a maioria dos adultos.

Um iniciante com boa resposta ao treinamento pode chegar a aproximadamente 0,4 – 0,8 kg, enquanto um praticante avançado talvez construa apenas 0,05 – 0,2 kg.

Ganhar dois quilos na balança em 30 dias é relativamente fácil. Construir dois quilos de tecido muscular no mesmo período é outra história — e, para uma pessoa natural, representa um resultado improvável.

Essas faixas não são limites biológicos.

Elas são estimativas práticas extraídas de estudos que acompanharam alterações na massa livre de gordura, na massa muscular esquelética, no volume dos músculos e na área de secção transversal das fibras.

Quantos kg de músculo é possível ganhar por mês?

Uma das melhores referências para responder quantos kg de músculo é possível ganhar por mês é a meta-análise publicada no British Journal of Sports Medicine.

Os pesquisadores reuniram 49 ensaios clínicos randomizados, com 1.863 participantes saudáveis.

Os programas duraram entre seis e 52 semanas, com média de 13 semanas, e utilizaram musculação de duas a cinco vezes por semana.

Nos grupos que treinaram sem receber suplementação proteica, o aumento médio foi de aproximadamente 1,1 kg de massa livre de gordura.

Quando houve suplementação, o acréscimo foi cerca de 0,30 kg maior.

Convertendo o resultado para a duração média dos protocolos, chegamos a aproximadamente 0,37 kg de massa livre de gordura por mês apenas com o treinamento.

Com a ingestão proteica otimizada, a média aproximou-se de 0,47 kg mensais.

Esse é provavelmente o melhor número disponível: algo ao redor de 0,3 a 0,5 kg por mês.

Entretanto, massa livre de gordura não significa exclusivamente tecido muscular novo.

A avaliação também contabiliza água corporal, glicogênio, órgãos, tecido conjuntivo e outros componentes sem gordura.

Portanto, interpretar todo o aumento como músculo contrátil superestima o ganho de massa muscular por mês.

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Por que o primeiro mês pode enganar tanto?

O início da musculação altera rapidamente o armazenamento de glicogênio e a quantidade de água presente dentro das células musculares.

A inflamação provocada por um estímulo novo também pode elevar temporariamente as medidas de espessura e massa magra.

Um ensaio clínico randomizado publicado por Desai e colaboradores ajuda a enxergar o tamanho desse efeito.

O estudo recrutou 63 adultos, sendo 34 mulheres e 29 homens, com idade média de 31 anos.

Os participantes foram randomizados para consumir 5 g diários de creatina ou permanecer no grupo de controle.

Antes de iniciarem as 12 semanas de musculação, eles passaram por sete dias de suplementação sem treinamento.

A massa livre de gordura foi medida por absorciometria de raios X de dupla energia (DXA), antes da intervenção, depois dos sete dias iniciais e ao término do programa.

Em apenas uma semana, o grupo da creatina apresentou 0,51 kg a mais de massa livre de gordura em comparação ao controle.

Não houve tempo fisiológico suficiente para que meio quilo de proteína muscular fosse produzido.

O resultado mostra como a água incorporada ao tecido pode aparecer no exame como ganho de massa magra por mês.

Depois das 12 semanas de musculação, ambos os grupos ganharam cerca de 2 kg, sem diferença significativa entre eles.

Por isso, uma balança indicando 1 ou 2 kg adicionais no primeiro mês não prova que essa quantidade de músculo foi construída.

A leitura precisa considerar hidratação, glicogênio, conteúdo intestinal e o método utilizado para medir a composição corporal.

Quando a hipertrofia muscular realmente começa a aparecer?

Felipe Damas e colaboradores acompanharam dez homens jovens durante dez semanas de treinamento resistido.

O desenho foi especialmente rigoroso porque combinou biópsias do vasto lateral, água deuterada e análises microscópicas do dano muscular.

As avaliações ocorreram na primeira, na terceira e na décima semana.

Os pesquisadores mediram a síntese de proteína miofibrilar, o dano nas estruturas contráteis e a área das fibras musculares.

Na primeira semana, a síntese proteica subiu intensamente, mas o dano muscular também estava no nível mais elevado.

Esse aumento inicial não apresentou relação com a hipertrofia observada posteriormente.

A área das fibras somente mostrou crescimento significativo na décima semana.

Já nas avaliações realizadas na terceira e na décima semana, quando o dano havia diminuído, a síntese miofibrilar apresentou uma correlação próxima de 0,9 com a hipertrofia.

Isso muda a interpretação das primeiras sessões.

Uma síntese proteica elevada não significa que toda aquela proteína esteja sendo usada para ampliar as fibras; uma parcela considerável participa do reparo das estruturas lesionadas.

O ganho de massa muscular por mês começa a ser biologicamente mais consistente quando o organismo se adapta ao estímulo e passa a destinar uma proporção maior da síntese proteica à expansão do tecido contrátil.

Para quem deseja uma referência objetiva, esta é a faixa mais defensável:

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Iniciantes: aproximadamente 0,4 a 0,8 kg por mês

Os primeiros meses oferecem o maior potencial de crescimento porque o organismo ainda não está adaptado à sobrecarga.

O mesmo estímulo que seria insuficiente para um atleta experiente pode provocar uma resposta anabólica expressiva em uma pessoa destreinada.

Resultados próximos ou superiores a 1 kg de ganho de músculo por mês podem aparecer nos exames.

Intermediários: aproximadamente 0,15 a 0,4 kg por mês

Depois de um ou dois anos de treinamento consistente, cada novo aumento exige uma sobrecarga mais bem planejada.

O corpo já realizou as adaptações mais fáceis, e o ganho de massa muscular por mês começa a desacelerar.

Uma evolução de 200 ou 300 gramas pode parecer pequena na balança, mas representa entre 2,4 e 3,6 kg de músculo ao longo de um ano.

Para um praticante natural, esse resultado está longe de ser irrelevante.

Avançados: aproximadamente 0,05 a 0,2 kg por mês

Em pessoas próximas do próprio potencial muscular, o avanço pode ser menor do que a margem de erro da bioimpedância ou da DXA.

O praticante pode estar crescendo sem que o exame consiga demonstrar a mudança em apenas quatro semanas.

Por isso, as faixas mensais para avançados funcionam melhor como projeções de longo prazo.

Em vez de procurar 100 gramas em um único exame, faz mais sentido avaliar seis meses de treinamento, medidas corporais, imagens padronizadas e desempenho.

O que os estudos encontraram sobre o ganho de massa muscular por mês?

A análise mais abrangente disponível foi publicada por Benito e colaboradores.

Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática com meta-análise de efeitos aleatórios, reunindo 111 estudos, 158 grupos de intervenção e 1.927 homens saudáveis entre 18 e 40 anos.

Os protocolos duraram entre quatro e 24 semanas, com médias próximas de nove a dez semanas.

Os participantes treinaram de duas a seis vezes por semana, e as pesquisas utilizaram DXA, bioimpedância, pesagem hidrostática, antropometria e outros métodos de composição corporal.

Ao reunir massa livre de gordura, massa magra e massa muscular esquelética, a análise encontrou um aumento médio de 1,53 kg.

Separadamente, os valores foram 1,56 kg de massa livre de gordura, 1,65 kg de massa magra e 1,11 kg de massa muscular estimada.

Como a duração média ficou próxima de dez semanas, uma divisão simples produziria algo em torno de 0,5–0,7 kg mensais.

Porém, a própria revisão reconhece que massa livre de gordura e massa magra incluem água, glicogênio, minerais e outros tecidos.

É daí que vem a estimativa mais conservadora de 0,2 a 0,5 kg de músculo por mês. Ela reduz a possibilidade de contabilizar água e outros componentes como tecido contrátil recém-formado.

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Homens ganham mais músculo do que mulheres?

Os homens geralmente apresentam ganhos absolutos maiores porque começam com mais massa muscular.

Quando o crescimento é calculado proporcionalmente ao tamanho inicial, a diferença fica muito menor.

Refalo e colaboradores publicaram uma revisão sistemática com meta-análise bayesiana que reuniu 29 estudos.

Foram incluídos homens e mulheres saudáveis que realizaram o mesmo programa, permitindo uma comparação direta entre os sexos.

A análise considerou massa magra, espessura, volume, área de secção transversal muscular e tamanho das fibras.

Os homens apresentaram uma pequena vantagem nos ganhos absolutos, com diferença padronizada de 0,19.

Quando os pesquisadores compararam o crescimento proporcional ao tamanho inicial, a diferença estimada foi de apenas 0,69%, com o intervalo de incerteza incluindo a possibilidade de não existir diferença relevante.

Uma mulher pode, portanto, aumentar a musculatura em proporção semelhante à de um homem.

Como normalmente parte de uma quantidade menor de tecido muscular, a mudança convertida em quilos tende a ser mais baixa.

É por isso que uma meta fixa de “1 kg por mês” é ainda menos apropriada quando ignora peso corporal, tamanho inicial e sexo.

Ganhar 400 gramas para uma mulher de 55 kg pode ser uma adaptação excelente.

Mais calorias não significam mais músculo

O tecido precisa de energia para ser construído, mas o corpo não transforma todo superávit calórico em hipertrofia muscular.

Existe um limite para a quantidade de proteína que pode ser incorporada ao músculo durante determinado período.

Garthe e colaboradores testaram essa questão em um ensaio com 39 atletas de elite, randomizados para receber orientação nutricional com balanço energético positivo ou manter uma alimentação livre.

Durante oito a 12 semanas, todos continuaram o treinamento do próprio esporte e acrescentaram quatro sessões semanais de musculação.

O peso, a composição corporal, a força máxima, o salto e o desempenho em corrida foram medidos antes e depois.

O grupo orientado consumiu cerca de 3.585 kcal por dia, enquanto o outro ingeriu aproximadamente 2.964 kcal.

O peso aumentou 3,9% no primeiro grupo e 1,5% no segundo.

Apesar da diferença no peso corporal, o aumento da massa livre de gordura não diferiu significativamente entre os grupos.

Em contrapartida, a gordura aumentou 15% no grupo com maior ingestão e 3% entre aqueles que comeram livremente.

O estudo derruba a ideia de que um superávit agressivo acelera proporcionalmente o ganho de massa muscular por mês.

Depois que a necessidade energética está atendida, o excesso começa a ampliar o tecido adiposo.

Veja qual é a quantidade de proteína por kg recomendada para hipertrofia muscular.

Afinal, quanto músculo dá para ganhar em um mês?

Para a maioria das pessoas que treinam sem recursos farmacológicos, o melhor número para planejar o ganho de massa muscular por mês é 0,2 a 0,5 kg.

Um iniciante com boa genética, alimentação ajustada e treinamento bem executado pode alcançar aproximadamente 0,4 – 0,8 kg de hipertrofia muscular.

Um resultado acima disso pode acontecer, mas precisa ser examinado antes de ser chamado de músculo.

Os praticantes intermediários geralmente avançam entre 0,15 e 0,4 kg.

Entre os avançados, 0,05 – 0,2 kg de ganho muscular por mês já pode representar uma progressão bastante competente.

Essas faixas são uma interpretação aplicada da literatura.

Os estudos medem diferentes componentes e apresentam uma enorme variação entre participantes ao determinar o ganho de massa muscular por mês.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENITO, Pedro J. et al. A systematic review with meta-analysis of the effect of resistance training on whole-body muscle growth in healthy adult males. International Journal of Environmental Research and Public Health, Basel, v. 17, n. 4, art. 1285, 2020.

MORTON, Robert W. et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. British Journal of Sports Medicine, London, 2018.

DAMAS, Felipe et al. Resistance training-induced changes in integrated myofibrillar protein synthesis are related to hypertrophy only after attenuation of muscle damage. The Journal of Physiology, London, v. 594, n. 18, p. 5209–5222, 2016.

HUBAL, Monica J. et al. Variability in muscle size and strength gain after unilateral resistance training. Medicine & Science in Sports & Exercise, Indianapolis, v. 37, n. 6, p. 964–972, 2005.

*Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação individual, o diagnóstico ou o tratamento conduzido por médico ou nutricionista. As informações apresentadas não devem ser aplicadas sem orientação profissional.

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