Antidepressivos engordam? Veja o que dizem os estudos

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Um estudo científico publicado em 2025 mostrou que entre 55% e 65% dos pacientes que usam antidepressivos engordam ao longo do tratamento.

Além do impacto estético, esse efeito pode aumentar o risco de obesidade, diabetes tipo 2, resistência à insulina e doenças cardiovasculares.

O problema também afeta diretamente a adesão ao tratamento, já que muitas pessoas param o uso do medicamento ao perceber mudanças no corpo.

Mas afinal: quais antidepressivos mais engordam? Existe algum que ajuda a emagrecer? E por que isso acontece? Descubra abaixo!

Como os antidepressivos aumentam o peso

O cérebro controla a fome, a saciedade e o comportamento alimentar por meio de neurotransmissores como serotonina e dopamina.

Os antidepressivos atuam nessas mesmas vias químicas, o que explica parte da relação entre medicação e alteração do peso corporal.

Nos primeiros meses de tratamento, alguns antidepressivos podem até reduzir o apetite.

Com o tempo, ocorrem adaptações nos receptores cerebrais que alteram os sinais de fome e saciedade.

Entre os principais mecanismos envolvidos estão:

  • Aumento do apetite;
  • Maior compulsão por carboidratos;
  • Redução do gasto energético;
  • Alterações hormonais;
  • Resistência à insulina;
  • Mudanças nos níveis de leptina e grelina;
  • Maior busca por alimentos altamente palatáveis.

A serotonina, por exemplo, participa do controle da saciedade.

Em teoria, níveis mais altos desse neurotransmissor deveriam reduzir a fome.

Porém, o uso crônico de antidepressivos serotoninérgicos pode dessensibilizar certos receptores cerebrais ligados ao controle alimentar, favorecendo aumento da ingestão calórica.

Já a dopamina também participa do circuito de recompensa relacionado à comida.

Alterações nessa via podem aumentar o desejo por alimentos ricos em açúcar e gordura, principalmente em momentos de estresse emocional.

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Quais classes com maior impacto?

Os antidepressivos tricíclicos, como amitriptilina e nortriptilina, aparecem entre os medicamentos mais associados ao aumento do peso.

Isso acontece porque eles atuam não apenas na serotonina e na noradrenalina, mas também em receptores histamínicos e colinérgicos.

Pesquisas mostram aumento médio entre 1,5 kg e 2 kg em poucas semanas de uso, podendo haver progressão ao longo dos meses.

Além da fome aumentada, esses medicamentos podem provocar sedação, fadiga e redução da atividade física, criando um cenário favorável ao acúmulo de gordura corporal.

ISRSs que engordam no longo prazo

De acordo com um estudo de 2025, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, conhecidos como ISRSs, estão entre os antidepressivos mais prescritos do mundo.

O escitalopram apresentou um ganho médio de, +0,41 kg em 6 meses. Foi o ISRS com maior aumento de peso observado no estudo.

A paroxetina também apareceu entre os antidepressivos com maior tendência ao ganho de peso entre os ISRSs, com ganhos de +0,37 kg até +2,73 kg, além de um risco 21% maior de aumentar 5% do peso corporal.

A explicação envolve forte ação anti-histamínica e maior estímulo do apetite.

Entre os IRSNs, a duloxetina apresentou ganhos de +0,34 kg.

O estudo também observou maior risco metabólico e possível impacto na resistência à insulina.

Já a venlafaxina mostrou aumento menor no peso, com +0,17 kg.

Apesar disso, o uso prolongado ainda pode favorecer o aumento gradual do peso corporal.

A fluoxetina teve comportamento diferente dos demais ISRSs, com uma variação próxima de 0 kg. Efeito considerado neutro.

Antidepressivos que mais aumentam o peso

Algumas classes apresentaram aumento de peso muito mais expressivo:

  • Amitriptilina: Um antidepressivo tricíclico utilizado também para dor crônica e insônia. Esteve entre os medicamentos com maior impacto na balança, com ganho médio de +1,52 kg até +2 kg;
  • Nortriptilina: A nortriptilina também apresentou ganho relevante de +1,52 kg até +2 kg;
  • Fenelzina: Entre os IMAOs, a fenelzina levou a um dos maiores aumentos, +2 kg até +3 kg em 6 meses.
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Mirtazapina: uma das campeãs no ganho de peso

A mirtazapina foi um dos antidepressivos mais associados ao aumento rápido do apetite.

O estudo encontrou ganhos de +1,74 kg nas primeiras 12 semanas

O medicamento atua bloqueando receptores de histamina H1 e serotonina 5-HT2C, combinação que favorece:

  • Maior ingestão calórica;
  • Desejo por alimentos palatáveis;
  • Aumento da sonolência;
  • Redução do gasto energético.

Existe antidepressivo que ajuda a emagrecer?

Segundo o estudo, a bupropiona foi o único antidepressivo consistentemente associado à perda de peso.

Os pesquisadores observaram:

  • −0,22 kg até −3,2 kg;
  • Redução de 15% no risco de ganhar mais de 5% do peso corporal.

A bupropiona age na recaptação de dopamina e noradrenalina, neurotransmissores ligados à motivação, energia e controle do apetite.

Além disso, o medicamento costuma causar:

Antidepressivos podem causar resistência à insulina?

Sim. O estudo mostra que alguns antidepressivos também alteram o metabolismo da glicose.

ISRSs, tricíclicos e mirtazapina foram associados a:

  • Aumento do cortisol;
  • Piora da resistência à insulina;
  • Maior risco de diabetes tipo 2;
  • Alterações inflamatórias.

O estudo também observou maior risco de diabetes em indivíduos que utilizaram antidepressivos por mais de 24 meses, especialmente em doses moderadas ou altas.

Fatores que aumentam o risco de engordar com antidepressivos

Nem todas as pessoas terão o mesmo efeito colateral.

Existem fatores individuais que aumentam a predisposição ao ganho de peso durante o tratamento, como:

  • Excesso de peso antes do tratamento;
  • Sedentarismo;
  • Dieta rica em ultraprocessados;
  • Histórico de compulsão alimentar;
  • Alterações hormonais e metabólicas;
  • Predisposição genética;
  • Uso prolongado da medicação;
  • Associação entre antidepressivos e outros psicotrópicos.

Como evitar ganho de peso durante o tratamento

O manejo do ganho de peso induzido por antidepressivos precisa ser individualizado.

Nem sempre a melhor estratégia é interromper a medicação, especialmente quando ela está controlando os sintomas psiquiátricos.

Contudo, outras abordagens podem ajudar:

  • Ajuste da medicação: Em alguns casos, o médico pode considerar a troca para antidepressivos metabolicamente mais favoráveis, como a bupropiona.
  • Estratégias nutricionais: Priorizar proteínas, fibras e alimentos com maior saciedade ajuda a reduzir episódios de fome exagerada e compulsão alimentar.
  • Exercício físico regular: A atividade física melhora sensibilidade à insulina, reduz a inflamação e ajuda a modular neurotransmissores relacionados ao humor e ao apetite.

O ganho de peso não deve ser ignorado

O aumento de peso relacionado aos antidepressivos não é apenas uma questão estética.

Ele pode afetar adesão ao tratamento, autoestima, saúde cardiovascular e qualidade de vida.

O ideal é que a escolha do antidepressivo leve em consideração não apenas a eficácia, mas também o perfil metabólico, histórico clínico e características individuais.

Quando existe acompanhamento nutricional, é possível reduzir os impactos metabólicos do tratamento sem comprometer o cuidado com a saúde mental.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bhave VM, Nectow AR. The dorsal raphe nucleus in the control of energy balance. Trends Neurosci (2021).

Aklan I, Sayar-Atasoy N, Deng F, et al. Dorsal raphe serotonergic neurons suppress feeding through redundant forebrain circuits. Mol Metab (2023).

Ye Q, Nunez J, Zhang X. Raphe serotonin projections dynamically regulate feeding behavior through targeting inhibitory circuits from rostral zona incerta to paraventricular thalamus. Mol Metab (2022).

*Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui o diagnóstico ou tratamento de um médico ou nutricionista. As informações apresentadas não devem ser aplicadas sem orientação profissional.

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