A antiga Síndrome dos Ovários Policísticos, conhecida pela sigla SOP, agora passa a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP).
A mudança foi publicada na revista científica The Lancet e representa um marco importante no entendimento de uma condição que afeta mais de 170 milhões de mulheres em todo o mundo.
O novo nome foi definido após um consenso internacional envolvendo 56 organizações científicas, profissionais da saúde e grupos de pacientes.
O objetivo é corrigir uma definição considerada incompleta e que, durante anos, contribuiu para atrasos no diagnóstico e interpretações equivocadas sobre a doença.
O que muda com o novo nome da SOP?
A principal mudança está na forma como a síndrome passa a ser compreendida pela comunidade médica e pelas próprias pacientes.
Durante décadas, o termo “ovários policísticos” levou muitas pessoas a acreditarem que a condição era causada por cistos ovarianos.
Na prática, isso nunca foi totalmente correto.
O que costuma aparecer nos exames são múltiplos pequenos folículos com desenvolvimento interrompido, e não cistos patológicos.
Essa interpretação limitada fez com que muitos casos fossem tratados apenas como um problema ginecológico, ignorando alterações metabólicas e hormonais importantes.
Agora, o nome Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) reflete melhor a complexidade da condição:
- “Metabólica” porque há forte relação com resistência à insulina e alterações metabólicas;
- “Poliendócrina” porque envolve diferentes hormônios e sistemas hormonais do corpo;
- “Ovariana” porque os ovários continuam sendo parte importante do quadro clínico.

Por que a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina demorava tanto para ser diagnosticada?
Segundo o consenso publicado na The Lancet, até 70% das mulheres com a síndrome podem permanecer sem diagnóstico.
Isso acontece porque os sintomas de SOP variam bastante de uma pessoa para outra.
Algumas mulheres apresentam ciclos menstruais irregulares. Outras sofrem principalmente com acne, aumento de pelos, dificuldade para emagrecer ou infertilidade.
Além disso, muitas pacientes não apresentam o clássico aspecto ovariano alterado no ultrassom, o que levava parte dos profissionais a descartar a síndrome de forma precipitada.
Outro ponto importante é que mulheres magras também podem ter SOMP.
Existe um mito de que a condição aparece apenas em pessoas com obesidade, mas a resistência à insulina pode estar presente inclusive em mulheres com peso considerado normal.
Quais são os sintomas da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina?
Os sintomas podem surgir ainda na adolescência e costumam variar de intensidade.
Entre os sinais mais comuns da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina estão:
- Menstruação irregular;
- Ausência de ovulação;
- Dificuldade para engravidar;
- Acne persistente;
- Oleosidade excessiva da pele;
- Crescimento aumentado de pelos no rosto e corpo;
- Queda de cabelo em padrão feminino;
- Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
- Escurecimento da pele em regiões como pescoço e axilas;
- Cansaço frequente;
- Alterações emocionais, ansiedade e baixa autoestima.
Em muitos casos, os sintomas aparecem de forma gradual, o que faz com que a condição seja normalizada por anos antes da investigação adequada.
A SOMP vai além dos hormônios reprodutivos
Um dos principais motivos para a mudança de nome é o reconhecimento de que a síndrome não afeta apenas a fertilidade.
A resistência à insulina está presente em aproximadamente 85% das mulheres com a condição. Isso aumenta o risco de:
- Pré-diabetes;
- Diabetes tipo 2;
- Colesterol elevado;
- Hipertensão;
- Esteatose hepática;
- Inflamação crônica;
- Doenças cardiovasculares.
Por isso, o acompanhamento da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina precisa ser contínuo, envolvendo não apenas ginecologistas, mas também endocrinologistas, nutricionistas e outros profissionais da saúde.

Como é feito o diagnóstico da SOMP?
Apesar da mudança de nomenclatura, os critérios diagnósticos permanecem os mesmos.
O diagnóstico em mulheres adultas continua sendo baseado na presença de pelo menos dois destes três critérios:
- Disfunção ovulatória, como menstruação irregular ou ausência de ovulação;
- Hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, identificado por sinais físicos ou exames hormonais;
- Aspecto ovariano compatível no ultrassom ou alterações no hormônio antimülleriano (AMH).
Antes da confirmação da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, outras doenças precisam ser descartadas.
Em adolescentes, o diagnóstico exige ainda mais cautela, já que irregularidades menstruais e acne podem fazer parte do desenvolvimento hormonal da puberdade.
Como funciona o tratamento da SOMP?
O tratamento é individualizado e depende dos sintomas, dos objetivos da paciente e das alterações metabólicas presentes.
Entre as abordagens mais utilizadas estão:
- Reeducação alimentar;
- Atividade física regular;
- Controle do peso corporal;
- Anticoncepcionais hormonais;
- Medicamentos antiandrogênicos;
- Metformina;
- Indutores de ovulação em casos de infertilidade;
- Acompanhamento metabólico contínuo.
Mesmo reduções moderadas de peso já podem melhorar significativamente os ciclos menstruais, a ovulação e os marcadores metabólicos.

Onde o nutricionista entra no tratamento da SOMP?
A nutrição é de suma importância manejo da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, especialmente por causa da forte relação entre a condição e a resistência à perda de peso.
Um plano alimentar individualizado pode ajudar a:
- Melhorar a sensibilidade à insulina;
- Reduzir a inflamação;
- Auxiliar no controle do peso;
- Diminuir picos glicêmicos;
- Regular hormônios;
- Melhorar ciclos menstruais;
- Favorecer a ovulação.
Mais do que emagrecer, o acompanhamento nutricional busca melhorar o funcionamento metabólico do organismo como um todo.
Estratégias nutricionais inadequadas, dietas restritivas e longos períodos de jejum sem orientação podem piorar desequilíbrios hormonais e aumentar o estresse metabólico.
Por isso, o tratamento nutricional deve ser personalizado, considerando exames, rotina, sintomas, composição corporal e objetivos individuais.
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Mudança de nome deve acontecer de forma gradual
A transição de SOP para SOMP será feita ao longo dos próximos anos.
Diretrizes médicas, prontuários eletrônicos, materiais educativos e classificações internacionais de doenças passarão por atualização gradual até 2028.
A expectativa dos especialistas é que a nova nomenclatura facilite o reconhecimento da síndrome, reduza atrasos diagnósticos e aumente a conscientização sobre os impactos metabólicos da condição.
Se você apresenta sintomas de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, o acompanhamento nutricional pode fazer diferença na sua qualidade de vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Neven ACH, Forslund M, Ranasinha S, et al. Prevalence of polycystic ovary syndrome: a global and regional systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update 2026.
Teede HJ, Tay CT, Laven JJE, et al, and the International PCOS Network. Recommendations from the 2023 international evidencebased guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. Eur J Endocrinol 2023.
Mousa A, Tay CT, Teede H. Technical report for the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome.






