Intolerância à lactose: sintomas, tipos e como controlar

intolerância à lactose

A intolerância à lactose é uma condição digestiva comum que acontece quando o organismo não consegue digerir adequadamente a enzima lactase. 

O problema pode surgir em diferentes fases da vida e provoca desconfortos que afetam a alimentação, a rotina e até a qualidade de vida. 

Embora seja bastante conhecida, ainda existe muita confusão sobre o tema. 

É comum associar qualquer desconforto após consumir leite à intolerância, quando existem outras condições com sintomas parecidos. 

Continue lendo para descobrir como reconhecer os sinais do organismo e adaptar a alimentação de forma segura.

O que é intolerância à lactose e por que ela acontece?

A intolerância à lactose ocorre quando o intestino produz pouca ou nenhuma lactase, enzima responsável por quebrar a lactose em partículas menores para que ela seja absorvida. 

Quando essa digestão não acontece corretamente, a lactose permanece no intestino e é fermentada pelas bactérias da microbiota intestinal. 

Esse processo leva ao aparecimento de gases, distensão abdominal, cólicas e alterações intestinais.

A lactase é produzida naturalmente no intestino delgado desde o nascimento.

Em muitas pessoas, porém, a produção diminui progressivamente ao longo da vida

A intensidade dos sintomas depende de fatores diferentes:

  • Quantidade de lactose ingerida;
  • Grau de deficiência de lactase;
  • Sensibilidade individual do intestino;
  • Associação com outros alimentos durante a refeição;
  • Velocidade do esvaziamento gástrico.

Nem sempre a intolerância significa ausência total da enzima. 

Em muitos casos, ainda existe produção parcial de lactase, permitindo o consumo moderado de alguns derivados sem sintomas graves.

intolerância à lactose e alergia ao leite

Diferença entre intolerância à lactose e alergia ao leite

A intolerância à lactose e a alergia à proteína do leite são condições completamente diferentes, apesar de confundidas. 

A principal diferença está no mecanismo envolvido. A intolerância é causada por deficiência enzimática digestiva. 

Já a alergia envolve uma reação do sistema imunológico às proteínas presentes no leite.

Na alergia, o organismo identifica proteínas do leite como substâncias agressoras e desencadeia uma resposta imunológica. 

Isso pode provocar manifestações que vão muito além do sistema digestivo, incluindo sintomas respiratórios e cutâneos. 

Na intolerância, os sintomas ficam concentrados principalmente no trato gastrointestinal.

As diferenças mais importantes incluem:

  • Intolerância à lactose é resultado da dificuldade de digestão, enquanto a alergia ao leite envolve reação imunológica;
  • A intolerância pode permitir consumo parcial de lactose, já a alergia exige exclusão completa das proteínas do leite.

Na alergia ao leite, podem ocorrer:

  • Coceira na pele;
  • Vermelhidão;
  • Inchaço;
  • Tosse;
  • Chiado no peito;
  • Vômitos;
  • Reações graves em alguns casos.

Tipos de intolerância à lactose: primária, secundária e congênita

A intolerância à lactose pode se manifestar de formas diferentes, dependendo da origem da deficiência de lactase.

Os três principais tipos são a intolerância primária, secundária e congênita. 

Intolerância primária

É a forma mais comum. Nesse caso, a produção de lactase diminui naturalmente com o passar dos anos. 

Trata-se de uma característica genética bastante frequente em adultos. 

Características da intolerância primária:

  • Surge normalmente após a infância;
  • Tem influência genética;
  • Evolui lentamente ao longo do tempo;
  • Pode variar em intensidade.

Intolerância à lactose secundária 

Acontece quando alguma condição intestinal prejudica temporariamente a produção de lactase. 

Inflamações, infecções intestinais e doenças que lesionam a mucosa intestinal podem reduzir a atividade da enzima.

Entre as causas mais associadas estão:

  • Gastroenterites;
  • Doença celíaca;
  • Doença de Crohn;
  • Infecções intestinais;
  • Quimioterapia;
  • Cirurgias intestinais.

Nesse tipo, a intolerância pode melhorar após o tratamento da doença de base.

Intolerância congênita 

É rara e aparece desde o nascimento. O bebê nasce sem capacidade de produzir lactase. 

Os sintomas surgem logo nos primeiros contatos com leite materno ou fórmulas infantis contendo lactose.

sintomas de intolerância à lactose

Quem tem maior risco de desenvolver intolerância à lactose?

A intolerância à lactose pode afetar qualquer pessoa, mas alguns grupos apresentam risco maior de desenvolver a condição. 

O avanço da idade é um dos fatores mais associados ao problema. Em muitas pessoas, a produção da enzima diminui após a infância. 

Pessoas com doenças intestinais merecem atenção especial. 

Alterações na mucosa intestinal podem comprometer temporariamente a produção da enzima e provocar sintomas mesmo em indivíduos que nunca tiveram dificuldade para consumir lactose.

Além disso, quem apresenta sensibilidade gastrointestinal aumentada pode perceber desconfortos mais intensos mesmo com ingestão moderada de lactose. 

Principais sintomas de intolerância à lactose

Os sintomas da intolerância à lactose surgem porque a lactose não digerida sofre fermentação pelas bactérias intestinais. 

Esse processo aumenta a produção de gases e altera o funcionamento intestinal, causando desconfortos que variam de intensidade.

Alguns indivíduos apresentam sintomas leves após grandes quantidades de lactose. 

Outros percebem desconforto mesmo com pequenas porções de leite e derivados.

A resposta depende do grau de deficiência de lactase e da tolerância individual.

Os sintomas mais comuns incluem:

Distensão abdominal: Sensação de barriga estufada causada pelo aumento da fermentação intestinal e pela produção excessiva de gases.

  • Gases intestinais: O excesso de lactose não digerida favorece a fermentação bacteriana, aumentando a formação de gases e o desconforto abdominal;
  • Dor abdominal: As cólicas podem surgir devido ao aumento da movimentação intestinal e da pressão provocada pelos gases;
  • Diarreia: A lactose não absorvida atrai água para o intestino, deixando as fezes mais líquidas e aumentando a frequência evacuatória;
  • Náuseas: Algumas pessoas apresentam enjoo após o consumo de leite e derivados, especialmente quando ingerem grandes quantidades;
  • Ruídos intestinais: Os movimentos intestinais aumentados podem provocar sons abdominais frequentes;
  • Sensação de desconforto digestivo: Muitas pessoas descrevem sensação de digestão pesada ou mal-estar após consumir alimentos com lactose.

Quanto tempo os sintomas demoram para aparecer

Na maioria dos casos, os desconfortos surgem entre 30 minutos e 2 horas após o consumo de alimentos contendo lactose.

Quanto maior a quantidade de lactose ingerida, maior tende a ser o desconforto.

Algumas pessoas percebem sintomas rápidos após consumir leite puro, especialmente em jejum. 

Já alimentos combinados com fibras, proteínas e gorduras podem retardar a digestão e reduzir a intensidade dos sintomas.

Como descobrir se você tem intolerância à lactose

Como os sintomas podem se confundir com outras alterações digestivas, o diagnóstico não deve ser baseado apenas na percepção individual após consumir leite ou derivados.

Quando o desconforto aparece repetidamente após ingestão de produtos com lactose, existe suspeita clínica da condição.

Durante a investigação, o profissional costuma analisar:

  • Frequência dos sintomas;
  • Quantidade de lactose consumida;
  • Histórico familiar;
  • Presença de doenças intestinais;
  • Padrão alimentar;
  • Intensidade dos desconfortos.

Em alguns casos, uma redução temporária da lactose na alimentação pode ser utilizada para avaliar a melhora dos sintomas. 

No entanto, isso deve ser feito com acompanhamento para evitar restrições desnecessárias e risco de deficiência nutricional.

Quais exames confirmam o diagnóstico

O exame mais utilizado é o teste de hidrogênio expirado, considerado uma das formas mais confiáveis de investigação. 

Ele mede a quantidade de hidrogênio eliminada na respiração após ingestão de lactose.

Quando a lactose não é digerida corretamente, ela sofre fermentação no intestino e produz gases, incluindo hidrogênio. 

Parte desse gás é absorvida pela circulação e eliminada pelos pulmões.

Outros exames também podem ser utilizados:

  • Teste de tolerância à lactose;
  • Teste genético;
  • Avaliação clínica associada à dieta;
  • Exame de acidez fecal em crianças.

O teste genético identifica predisposição hereditária para redução da lactase. Já o exame de acidez fecal costuma ser mais utilizado em bebês e crianças pequenas.

Em alguns casos, a investigação inclui exames complementares para excluir doenças intestinais associadas.

Cabe lembrar que o diagnóstico não deve ser feito apenas com testes realizados sem acompanhamento profissional. 

A interpretação inadequada pode levar a restrições alimentares desnecessárias e prejuízo nutricional.

Teste de intolerância à lactose: como funciona

O teste de intolerância à lactose é realizado para avaliar a capacidade do organismo de digerir a lactose adequadamente. 

Nesse exame, a pessoa ingere uma quantidade padronizada de lactose diluída em líquido.

Depois disso, são feitas medições ao longo de algumas horas para observar como o organismo reage.

No teste oral, são avaliados os níveis de glicose no sangue. Quando a lactose é digerida corretamente, ela é quebrada em glicose e galactose, aumentando a glicemia. 

Se isso não acontecer, existe suspeita de deficiência de lactase.

O procedimento geralmente segue estas etapas:

  1. Jejum antes do exame;
  2. Ingestão da solução com lactose;
  3. Coletas seriadas de sangue ou análise respiratória;
  4. Observação de sintomas durante o teste.

O teste de hidrogênio expirado também é bastante utilizado porque é menos invasivo. 

Após consumir lactose, o paciente sopra em aparelhos que medem a concentração de hidrogênio no ar expirado.

Quando há má digestão da lactose, a fermentação intestinal aumenta a produção desse gás.

Durante o exame, alguns sintomas podem surgir temporariamente:

  • Distensão abdominal;
  • Gases;
  • Cólicas;
  • Diarreia.

Apesar de úteis, os exames não devem ser analisados isoladamente. 

Quando procurar um nutricionista?

Muitas pessoas convivem durante anos com desconfortos digestivos sem buscar orientação adequada. 

Em vez disso, acabam retirando grupos alimentares inteiros da alimentação por conta própria, o que pode comprometer a ingestão de nutrientes importantes.

É importante procurar um nutricionista quando houver:

  • Sintomas frequentes após consumir leite e derivados;
  • Dificuldade para identificar alimentos que causam desconforto;
  • Restrição alimentar sem melhora dos sintomas;
  • Perda de peso involuntária;
  • Alterações intestinais persistentes;
  • Necessidade de adaptação alimentar em crianças.

O nutricionista também auxilia na prevenção de deficiências nutricionais, principalmente de cálcio, vitamina D e proteínas, nutrientes reduzidos em dietas restritivas mal planejadas.

Outro ponto importante é que nem toda pessoa intolerante precisa excluir completamente a lactose. 

Muitos indivíduos conseguem consumir pequenas quantidades sem sintomas relevantes. 

Se você apresenta sintomas recorrentes após consumir alimentos com lactose, vale buscar avaliação profissional para entender melhor o funcionamento do seu organismo. 

Agende uma consulta no site e receba orientação nutricional individualizada para controlar os sintomas com segurança.

intolerância à lactose deficiência de lactase

Alimentos que contêm lactose e costumam causar sintomas

A lactose está presente naturalmente no leite de mamíferos e em diversos derivados lácteos. 

O leite tradicional é um dos principais desencadeadores porque contém alta quantidade de lactose. 

Produtos líquidos tendem a ser absorvidos mais rapidamente, favorecendo o aparecimento dos sintomas.

Os alimentos mais associados aos desconfortos incluem:

  • Leite integral, desnatado, semidesnatado e em pó;
  • Sorvetes;
  • Milk-shakes;
  • Creme de leite;
  • Leite condensado;
  • Requeijão;
  • Queijos frescos;
  • Pães industrializados;
  • Bolos prontos;
  • Biscoitos recheados;
  • Embutidos;
  • Molhos prontos;
  • Sopas instantâneas;
  • Chocolates;
  • Barras de cereal;
  • Purês instantâneos;
  • Temperos industrializados;
  • Iogurtes tradicionais.

Alguns derivados possuem menor teor de lactose devido ao processo de fermentação ou maturação. 

Queijos curados, por exemplo, costumam ser melhor tolerados em algumas pessoas.

Atualmente, existem muitas versões sem lactose disponíveis no mercado, incluindo leites, iogurtes, queijos e sobremesas adaptadas

Mesmo assim, é importante avaliar a composição nutricional dos substitutos, já que alguns produtos ultraprocessados podem conter açúcar, gordura ou aditivos desnecessários.

Como ler rótulos corretamente

Muitas vezes, a presença do ingrediente não aparece de forma evidente na embalagem, sendo preciso analisar a lista de ingredientes.

A legislação exige que os alimentos informem a presença de leite e derivados, mas isso não significa que o consumidor conseguirá identificar facilmente a lactose.

Os ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade. Isso significa que os primeiros itens da lista estão presentes em maior proporção.

Preste atenção à expressões como:

  • Contém leite;
  • Soro de leite em pó;
  • Lactose;
  • Leite condensado;
  • Creme de leite;
  • Caseína;
  • Caseinato;
  • Manteiga;
  • Whey protein concentrado;
  • Contém derivados de leite;
  • Contém soro de leite.

Produtos com frases como “leve”, “integral” ou “rico em proteína” podem conter lactose normalmente.

Já os produtos rotulados como “sem lactose” passaram por processo de hidrólise da lactose, tornando o açúcar mais fácil de digerir. 

Ainda assim, pessoas com alergia à proteína do leite precisam atenção, porque esses produtos continuam contendo proteínas lácteas.

O soro de leite é um dos ingredientes mais comuns em produtos industrializados.

Ele aparece em biscoitos, chocolates, suplementos, pães e alimentos ultraprocessados.

O que uma pessoa com intolerância à lactose pode comer?

Quem tem intolerância à lactose não precisa limitar a alimentação a poucos alimentos nem viver em função de restrições rígidas. 

O controle dos sintomas depende muito mais da escolha correta dos alimentos, da quantidade consumida e da tolerância individual do que da exclusão total dos derivados do leite. 

Entre os alimentos geralmente bem tolerados estão:

  • Frutas frescas;
  • Verduras;
  • Legumes;
  • Tubérculos;
  • Arroz;
  • Feijão;
  • Lentilha;
  • Grão-de-bico;
  • Carnes;
  • Frango;
  • Peixes;
  • Ovos;
  • Milho;
  • Aveia;
  • Quinoa;
  • Castanhas;
  • Sementes;
  • Azeite de oliva.

Além dos alimentos naturais, existem versões industrializadas adaptadas para intolerantes à lactose:

  • Leite sem lactose;
  • Iogurte sem lactose;
  • Creme de leite sem lactose;
  • Requeijão sem lactose;
  • Sorvete sem lactose;
  • Manteiga sem lactose.

Produtos vegetais também entram como alternativas em algumas refeições:

  • Bebida de aveia;
  • Água de coco;
  • Leite de amêndoas;
  • Leite de soja.

Leites vegetais: qual é a melhor opção?

Os leites vegetais se tornaram alternativas comuns para pessoas com intolerância à lactose, mas nem todas as opções possuem o mesmo perfil nutricional. 

Muitas bebidas vegetais são pobres em proteína e cálcio quando comparadas ao leite tradicional. 

A bebida de soja costuma ser a mais próxima nutricionalmente do leite bovino em relação à proteína. 

Já as versões de amêndoas e arroz geralmente possuem menor teor proteico e podem apresentar mais aditivos na composição.

Outros pontos importantes na escolha:

  • Verificar adição de cálcio;
  • Avaliar quantidade de açúcar;
  • Observar presença de espessantes;
  • Conferir teor de proteína;
  • Priorizar listas curtas de ingredientes.

Queijos com baixa lactose que podem ser tolerados

Nem todo queijo precisa ser excluído da alimentação de quem tem intolerância à lactose. 

Durante o processo de maturação, parte da lactose é degradada pelas bactérias fermentadoras, reduzindo significativamente sua concentração em alguns tipos de queijo.

Isso faz com que determinados queijos sejam melhor tolerados.

Os queijos com menor teor de lactose incluem:

  • Parmesão;
  • Suíço;
  • Provolone;
  • Gouda;
  • Estepe;
  • Cheddar maturado;
  • Pecorino.

Quanto maior o tempo de maturação, menor tende a ser a quantidade de lactose presente no alimento. 

Já os queijos frescos concentram mais lactose e costumam provocar sintomas com maior frequência, a citar:

  • Minas frescal;
  • Ricota;
  • Cottage;
  • Requeijão;
  • Cream cheese.

Mesmo entre os queijos com baixa lactose, a tolerância varia bastante de pessoa para pessoa. 

Como manter uma alimentação nutritiva com intolerância à lactose

O maior erro costuma ser focar apenas na exclusão do leite sem pensar na substituição adequada dos nutrientes envolvidos.

Quando há restrição inadequada, o risco de ingestão insuficiente de cálcio aumenta.

Entre as fontes alternativas de cálcio estão:

  • Sardinha;
  • Gergelim;
  • Tofu enriquecido;
  • Vegetais verde-escuros;
  • Bebidas vegetais fortificadas;
  • Amêndoas.

Intolerância à lactose tem cura?

A intolerância à lactose não costuma ter cura definitiva na forma primária.

Nesse tipo, a redução da produção de lactase faz parte de uma característica genética e fisiológica do organismo. 

A tendência é que a deficiência da enzima permaneça ao longo da vida.

Isso não significa, porém, que a pessoa precise conviver constantemente com sintomas ou excluir completamente os derivados lácteos da alimentação. 

Já a intolerância secundária pode melhorar quando a causa intestinal associada é tratada. 

Se a redução da lactase aconteceu devido a inflamações, infecções ou doenças intestinais, a recuperação da mucosa pode restaurar parcialmente a capacidade digestiva.

Não existe necessidade de restrições extremas para todos os casos. 

O objetivo do tratamento é controlar sintomas preservando qualidade nutricional e variedade alimentar.

Como funciona a reposição da enzima lactase

A lactase suplementar ajuda a quebrar a lactose ainda durante o processo digestivo, reduzindo a fermentação intestinal, gases, cólicas e diarreia.

Ela pode ser encontrada em diferentes formas:

  • Cápsulas;
  • Comprimidos;
  • Gotas;
  • Sachês.

A reposição enzimática não trata a causa da intolerância. Ela apenas auxilia temporariamente na digestão da lactose presente naquela refeição específica.

Muitas pessoas utilizam a lactase em situações sociais, viagens ou refeições fora de casa, quando o controle dos ingredientes se torna mais difícil.

Mesmo com suplementação, algumas pessoas ainda precisam moderar a quantidade de lactose ingerida, principalmente em casos mais sensíveis.

Uso de suplementos para digestão da lactose

Os suplementos para digestão da lactose são utilizados para auxiliar pessoas intolerantes a consumir alimentos lácteos com menos desconforto digestivo. 

A maioria contém lactase, enzima responsável pela quebra da lactose no intestino.

O funcionamento é relativamente simples: ao ingerir o suplemento antes da refeição, a enzima ajuda a digerir a lactose presente no alimento.

Esses suplementos podem ser úteis em situações como:

  • Refeições fora de casa;
  • Eventos sociais;
  • Viagens;
  • Consumo ocasional de derivados lácteos;
  • Dificuldade para controlar ingredientes.

Apesar da praticidade, os suplementos não substituem acompanhamento nutricional nem justificam consumo excessivo de lactose sem controle.

Consequências de ignorar a intolerância à lactose

Ignorar a intolerância à lactose pode levar à repetição frequente de sintomas digestivos e prejudicar a qualidade de vida ao longo do tempo. 

Embora a condição não provoque danos intestinais graves como ocorre em doenças inflamatórias ou alergias alimentares, o desconforto contínuo interfere na rotina alimentar.

Isso favorece sintomas persistentes e pode aumentar a sensibilidade intestinal em algumas pessoas.

As consequências mais comuns incluem:

  • Distensão abdominal frequente;
  • Excesso de gases;
  • Diarreia recorrente;
  • Cólicas intestinais;
  • Desconforto após refeições;
  • Alteração da rotina intestinal.

Em algumas situações, a persistência dos sintomas pode levar a redução involuntária do consumo alimentar por medo do desconforto digestivo.

Além disso, sintomas contínuos podem mascarar outras doenças intestinais associadas, principalmente quando existem:

  • Perda de peso;
  • Sangramento intestinal;
  • Anemia;
  • Dor intensa;
  • Alterações persistentes do hábito intestinal.

Deficiência nutricional causada por restrições inadequadas

O cálcio é o nutriente mais afetado. 

A ingestão insuficiente ao longo do tempo pode comprometer a saúde óssea, especialmente em crianças, adolescentes, mulheres após a menopausa e idosos.

Além do cálcio, outras deficiências podem surgir:

  • Vitamina D;
  • Proteínas;
  • Vitamina B12;
  • Fósforo;
  • Magnésio.

O risco aumenta quando a alimentação fica limitada a poucos alimentos industrializados “sem lactose” sem preocupação com qualidade nutricional.

Em crianças e adolescentes, restrições inadequadas podem interferir no crescimento e no desenvolvimento ósseo.

Intolerância à lactose em crianças, bebês e idosos

A intolerância à lactose pode ocorrer em diferentes fases da vida, mas a forma como ela se manifesta varia bastante entre crianças, bebês e idosos. 

Nos bebês, a intolerância congênita é rara. 

Já a intolerância secundária pode surgir temporariamente após infecções intestinais que lesionam a mucosa intestinal e reduzem a produção de lactase.

Nos idosos, a redução natural da produção de lactase tende a ser mais frequente. Além disso, alterações digestivas, uso de medicamentos e doenças intestinais podem aumentar a sensibilidade à lactose.

Como adaptar a alimentação infantil

Crianças precisam de ingestão suficiente de proteínas, cálcio, energia e vitaminas para desenvolvimento ósseo e metabólico saudável.

O primeiro passo é confirmar corretamente o diagnóstico antes de excluir derivados lácteos da alimentação. 

Quando existe necessidade de adaptação, algumas estratégias ajudam:

  • Fracionar consumo de lactose;
  • Priorizar alimentos bem tolerados;
  • Utilizar versões sem lactose;
  • Avaliar tolerância individual;
  • Garantir substituições nutricionais adequadas.

Em muitos casos, a criança consegue tolerar pequenas quantidades de lactose distribuídas ao longo do dia sem sintomas importantes.

Quando a criança apresenta sintomas persistentes, perda de peso, dificuldade de crescimento ou alterações intestinais importantes, a investigação deve ser ampliada para descartar outras doenças gastrointestinais.

Cuidados importantes na terceira idade

Na terceira idade, a intolerância à lactose precisa de atenção especial porque alterações digestivas e risco de deficiência nutricional se tornam maiores

Muitos idosos reduzem o consumo de leite e derivados devido ao desconforto gastrointestinal, o que pode comprometer ingestão de cálcio e proteínas.

A perda de massa óssea e muscular já tende a aumentar com o envelhecimento. Quando existe restrição alimentar mal planejada, esse processo pode se intensificar.

Os principais cuidados incluem:

  • Garantir ingestão adequada de cálcio;
  • Manter consumo proteico suficiente;
  • Evitar restrições exageradas;
  • Avaliar sintomas persistentes;
  • Monitorar a hidratação;
  • Adaptar refeições conforme tolerância.

Muitos idosos conseguem tolerar pequenas quantidades de lactose distribuídas ao longo do dia, principalmente em derivados fermentados ou queijos maturados.

Além disso, medicamentos e suplementos podem conter lactose como excipiente, contribuindo para sintomas em pessoas mais sensíveis.

O objetivo da adaptação no idoso não deve ser apenas controlar desconfortos digestivos, mas preservar o estado nutricional sem gerar restrições excessivas.

Quando a intolerância pode indicar outro problema intestinal

Embora a intolerância à lactose seja comum, nem todo desconforto digestivo relacionado ao leite significa apenas deficiência de lactase. 

A intolerância secundária, por exemplo, surge quando a mucosa intestinal sofre lesão temporária ou inflamação, reduzindo a produção da enzima lactase.

Entre as condições associadas estão:

  • Doença celíaca;
  • Doença de Crohn;
  • Gastroenterites;
  • Disbiose intestinal;
  • Síndrome do intestino irritável;
  • Enterites inflamatórias.

Por isso, sintomas persistentes, intensos ou associados a alterações clínicas não devem ser tratados apenas com exclusão de lactose sem avaliação profissional.

PERGUNTAS FREQUENTES

Intolerância à lactose causa gases excessivos?

Sim. Quando a lactose não é digerida corretamente, ela fermenta no intestino e aumenta a produção de gases, podendo causar distensão abdominal, desconforto e sensação de estufamento.

Existe remédio para intolerância à lactose?

Não existe cura definitiva para a intolerância à lactose primária, mas a enzima lactase em cápsulas, comprimidos ou gotas pode ajudar na digestão da lactose e reduzir os sintomas.

É possível desenvolver intolerância à lactose na vida adulta?

Sim. A redução da produção de lactase pode acontecer naturalmente com o envelhecimento, fazendo os sintomas surgirem apenas na adolescência ou na fase adulta.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Delacour H, Leduc A, Louçano-Perdriat A, Plantamura J, Ceppa F. Diagnosis of genetic predisposition for lactose intolerance by high resolution melting analysis. Ann Biol Clin (Paris). 2017.

*Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui o diagnóstico ou tratamento de um médico ou nutricionista. As informações apresentadas não devem ser aplicadas de forma individual sem orientação profissional.

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