Tipos de magnésio: guia completo para entender as diferenças

tipos de magnésio

Os tipos de magnésio despertam interesse porque o mineral participa de centenas de reações bioquímicas essenciais ao funcionamento do organismo.

Ainda assim, a ingestão adequada está longe de ser uma realidade para boa parte da população.

Estudos epidemiológicos indicam que a deficiência de magnésio, chamada de hipomagnesemia, atinge cerca de 12,5% a 20% dos brasileiros.

Em ambientes hospitalares o cenário é ainda mais expressivo, chegando a atingir até 60% dos pacientes internados em UTIs.

Aproximadamente 60% dos adultos não alcançam a ingestão diária recomendada do mineral.

Isso faz com que a deficiência permaneça muitas vezes silenciosa ou seja interpretada como consequência de outros fatores clínicos.

Ao mesmo tempo, cresce a oferta de suplementos com diferentes formas do nutriente, cada uma com características próprias de absorção e uso no organismo.

Portanto, continue lendo para compreender as diferenças entre os principais tipos e como cada um deles funciona no organismo.

O que é o magnésio e por que ele é tão importante?

O magnésio é um mineral essencial presente em praticamente todos os tecidos do corpo humano.

Ele atua como cofator em mais de 300 reações enzimáticas que sustentam processos básicos da fisiologia celular.

Grande parte do magnésio do organismo está armazenada nos ossos, que concentram cerca de 60% do total.

O restante se distribui entre músculos, tecidos moles e fluidos corporais.

A importância desse mineral começa na produção de ATP, a molécula que funciona como principal fonte de energia celular.

Sem magnésio, o ATP não consegue desempenhar suas funções adequadamente.

Isso significa que inúmeras reações metabólicas simplesmente não acontecem com eficiência quando o nível do mineral está abaixo do necessário.

O magnésio ajuda a regular a entrada e saída de íons como cálcio e potássio, elementos fundamentais para a contração muscular e a transmissão de impulsos nervosos.

Esse mecanismo influencia diretamente o ritmo cardíaco, o funcionamento do sistema nervoso e o controle da pressão arterial.

O mineral também participa da formação óssea, da regulação da glicose no sangue e do funcionamento adequado do sistema imunológico.

formas e tipos de magnésio

Funções do magnésio no metabolismo e no sistema nervoso

No metabolismo energético, o magnésio funciona como ativador de enzimas envolvidas na quebra de carboidratos, gorduras e proteínas.

Isso significa que ele participa da conversão desses nutrientes em energia utilizável pelas células.

Sem quantidades adequadas do mineral, esse processo se torna menos eficiente e pode impactar diferentes sistemas do organismo.

No sistema nervoso, o magnésio exerce um efeito modulador importante.

Ele atua na regulação de neurotransmissores e ajuda a controlar a excitabilidade neuronal.

Em termos simples, o mineral ajuda manter o sistema nervoso funcionando de forma equilibrada, evitando excesso de estímulos elétricos nas células.

Esse efeito ocorre porque ele interfere em canais de cálcio e em receptores neuronais específicos.

Ao controlar a entrada de cálcio nas células nervosas, ele ajuda a regular a transmissão de sinais entre neurônios.

Por essa razão, níveis adequados de magnésio são frequentemente associados ao equilíbrio neuromuscular e à estabilidade do sistema nervoso central.

Principais sinais de deficiência de magnésio no corpo

A deficiência de magnésio pode se desenvolver de forma lenta e silenciosa.

Em muitos casos, o organismo mantém níveis aparentemente normais no sangue enquanto as reservas celulares já estão reduzidas.

Esse detalhe dificulta o diagnóstico precoce e faz com que os sinais apareçam de forma progressiva.

Quando a disponibilidade do mineral diminui, diferentes sistemas começam a apresentar alterações.

O corpo tenta compensar essa queda mobilizando reservas ósseas, mas essa estratégia tem limite.

Entre os sintomas mais associados à baixa disponibilidade de magnésio estão:

  • Cãibras musculares frequentes;
  • Espasmos ou contrações involuntárias;
  • Fadiga persistente;
  • Fraqueza muscular;
  • Irritabilidade e alterações de humor;
  • Dificuldade de concentração;
  • Dores de cabeça recorrentes;
  • Alterações no sono;
  • Sensação de ansiedade;
  • Arritmias cardíacas;
  • Formigamentos ou dormência;
  • Redução do apetite;
  • Náuseas ocasionais.
tipos de magnésio bisglicinato

Por que existem diferentes tipos de magnésio?

A presença de vários tipos de magnésio nos suplementos é resultado de características químicas do próprio mineral.

O magnésio isolado não permanece estável para consumo direto.

Por essa razão, ele precisa ser ligado a outras substâncias para formar compostos que possam ser utilizados em alimentos ou suplementos.

Essas combinações criam diferentes sais de magnésio, que apresentam propriedades distintas relacionadas à solubilidade, absorção intestinal, concentração do mineral elementar e tolerância digestiva.

A ligação química também pode influenciar o local onde o magnésio exerce maior efeito.

Certas formas possuem afinidade maior com tecidos específicos ou apresentam maior facilidade para atravessar barreiras celulares.

Magnésio quelato (bisglicinato): alta absorção e ação no sistema nervoso

Entre os diferentes tipos de magnésio, o bisglicinato costuma aparecer como uma das formas mais utilizadas quando o objetivo é melhorar a absorção do mineral e reduzir desconfortos digestivos.

Esse composto é formado pela ligação do magnésio com duas moléculas do aminoácido glicina.

Essa estrutura cria um quelato estável, capaz de atravessar o trato intestinal utilizando transportadores de aminoácidos, o que favorece a biodisponibilidade.

Outro ponto relevante envolve o papel da glicina. Esse aminoácido atua como neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central.

Quando ligado ao magnésio, o composto passa a atuar não apenas como fonte do mineral, mas também como um suporte adicional para mecanismos neurológicos relacionados ao equilíbrio da atividade neuronal.

Por essa razão, o bisglicinato aparece com frequência em formulações voltadas para suporte neuromuscular e equilíbrio do sistema nervoso.

Magnésio dimalato: energia e suporte muscular

O magnésio dimalato é formado pela associação do mineral com o ácido málico, um composto orgânico naturalmente presente em frutas e que participa diretamente do ciclo de produção de energia celular.

Essa ligação cria um dos tipos de magnésio mais utilizados quando a intenção é apoiar processos metabólicos relacionados à produção de ATP.

O ácido málico atua no chamado ciclo de Krebs, uma sequência de reações químicas que ocorre dentro das mitocôndrias e que transforma nutrientes em energia utilizável pelas células.

Quando o magnésio está ligado a essa molécula, o organismo recebe simultaneamente dois elementos envolvidos nesse processo energético.

O magnésio, por si só, já participa da ativação de diversas enzimas responsáveis pela geração de energia. Quando combinado ao ácido málico, o composto oferece um suporte adicional para essas reações bioquímicas.

Esse composto apresenta boa solubilidade e tende a ser absorvido de forma eficiente no trato digestivo.

Magnésio citrato: absorção rápida e ação intestinal

O magnésio citrato é um dos compostos mais conhecidos entre os tipos de magnésio utilizados em suplementos.

Ele resulta da ligação entre o mineral e o ácido cítrico, substância amplamente encontrada em frutas cítricas e envolvida em processos metabólicos relacionados ao ciclo energético celular.

Uma das principais características dessa forma é a solubilidade elevada em água.

Esse fator facilita a dissolução do composto no trato gastrointestinal e contribui para uma absorção relativamente rápida do magnésio no intestino.

Além da absorção consistente, o magnésio citrato também apresenta uma ação conhecida sobre o trânsito intestinal.

Parte do composto permanece no intestino atraindo água para o interior do lúmen intestinal. Esse mecanismo aumenta o volume do conteúdo digestivo e estimula a movimentação intestinal.

Em doses moderadas, ele contribui para o aporte de magnésio e pode favorecer o funcionamento intestinal. Em quantidades maiores, o efeito osmótico se torna mais evidente.

Magnésio treonato: foco no cérebro e na memória

O magnésio treonato é um dos mais famosos tipos de magnésio estudados por sua relação com o sistema nervoso central.

Esse composto é formado pela ligação do mineral com o ácido L-treônico, uma substância derivada do metabolismo da vitamina C.

O interesse científico nestes tipos de magnésio surgiu a partir de estudos que investigaram a capacidade do treonato de facilitar a entrada de magnésio no cérebro.

O sistema nervoso central possui uma estrutura de proteção chamada barreira hematoencefálica, que controla quais substâncias conseguem acessar o tecido cerebral.

Muitos compostos têm dificuldade para atravessar essa barreira.

Pesquisas sugerem que o magnésio ligado ao ácido treônico apresenta maior facilidade para atingir o sistema nervoso central em comparação com algumas outras formas do mineral.

Esse aspecto chamou atenção porque o magnésio participa diretamente da regulação da atividade sináptica.

As sinapses são pontos de comunicação entre neurônios. O equilíbrio do magnésio nessas estruturas influencia a plasticidade sináptica, um mecanismo relacionado à formação e adaptação das conexões neurais.

Magnésio taurato e magnésio cloreto: outras formas populares

Além das formas mais conhecidas, outros tipos de magnésio também aparecem com frequência em suplementos e formulações nutricionais.

Entre eles, o magnésio taurato, que resulta da ligação do mineral com a taurina, um aminoácido que participa de processos relacionados à estabilidade celular, regulação do cálcio intracelular e funcionamento do sistema cardiovascular.

A presença da taurina cria um composto que reúne as propriedades do magnésio com as funções fisiológicas desse aminoácido.

A taurina contribui para a regulação da atividade elétrica das células, especialmente em tecidos como o coração e o sistema nervoso.

Quando associada ao magnésio, forma um composto que atua no equilíbrio da excitabilidade celular e no controle da entrada de cálcio nas células.

Já o magnésio cloreto apresenta uma estrutura química mais simples. Ele é formado pela ligação do mineral com cloro, criando um sal altamente solúvel em água.

Estes tipos de magnésio facilitam a dissolução no trato digestivo e permite uma absorção eficiente do magnésio liberado durante a digestão.

Diferenças de absorção entre as formas de magnésio

Embora todos forneçam o mesmo mineral, a estrutura química que acompanha o tipo de magnésio altera o comportamento do nutriente dentro do trato digestivo e, consequentemente, a quantidade que realmente chega à circulação.

A absorção do magnésio ocorre principalmente no intestino delgado, por dois mecanismos.

O primeiro é a difusão passiva, que depende da concentração do mineral no lúmen intestinal.

O segundo é um transporte ativo mediado por proteínas específicas da mucosa intestinal.

Os sais orgânicos, como citrato, malato e bisglicinato, tendem a apresentar biodisponibilidade mais elevada.

Isso acontece porque essas moléculas possuem maior solubilidade em meio aquoso e conseguem permanecer estáveis durante a digestão, liberando o magnésio de maneira mais eficiente para absorção intestinal.

Já algumas formas inorgânicas possuem concentração maior de magnésio elementar, porém apresentam dissolução menos eficiente.

Em determinadas situações, parte do mineral permanece no intestino e acaba sendo eliminada antes de ser absorvida.

Por essa razão, a escolha entre os diferentes tipos de magnésio não depende apenas da quantidade de magnésio presente no suplemento. A forma química determina como o mineral será disponibilizado ao organismo.

Conclusão

Os diferentes tipos de magnésio disponíveis em suplementos existem porque o mineral precisa ser associado a outras moléculas para formar compostos estáveis e absorvíveis.

Quando a seleção é feita de forma criteriosa, a suplementação tende a apresentar melhor aproveitamento e maior eficiência na reposição do mineral.

Se você quer entender quais tipos de magnésio fazem mais sentido para o seu caso e como ajustar a ingestão desse nutriente na rotina alimentar, o caminho mais seguro é uma avaliação profissional.

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PERGUNTAS FREQUENTES

O magnésio pode ser obtido apenas pela alimentação?

Sim, o magnésio está presente em diversos alimentos, principalmente em vegetais verde-escuros, sementes, oleaginosas, leguminosas e grãos integrais. Espinafre, amêndoas, castanha-de-caju, feijão e sementes de abóbora são exemplos de boas fontes.

Existe horário ideal para tomar suplementos de magnésio?

Não existe uma regra única válida para todos os casos. O horário costuma variar conforme o tipo de magnésio utilizado e o objetivo da suplementação.

Quem deve ter cuidado ao usar suplementos de magnésio?

Embora o magnésio seja um nutriente essencial, a suplementação exige atenção em algumas situações. Pessoas com doença renal, por exemplo, podem apresentar dificuldade para eliminar o excesso do mineral.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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De Baaij J.H.F., Hoenderop J.G.J., Bindels R.J.M. Magnesium in Man: Implications for Health and Disease. Physiol. Rev. 2015.

Saris N.E.L., Mervaala E., Karppanen H., Khawaja J.A., Lewenstam A. Magnesium: An update on physiological, clinical and analytical aspects. Clin. Chim. Acta. 2000.

*Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui o diagnóstico ou tratamento de um médico ou nutricionista. As informações apresentadas não devem ser aplicadas de forma individual sem orientação profissional.

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