Mounjaro: benefícios, riscos e como obter

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Constantemente, o mercado da saúde é atravessado por tendências de emagrecimento, e o Mounjaro é uma delas.

Nunca se falou tanto sobre obesidade, resistência à insulina e doenças metabólicas com tanta exposição como agora.

O interesse no Mounjaro, portanto, não é só pelo medicamento em si, mas pelo que ele representa na forma de tratar essas condições.

Ainda assim, as manchetes simplificam o assunto, redes sociais exageram nos benefícios e comparações de resultados surgem sem critério.

O resultado disso, portanto, é a dificuldade em entender onde termina o potencial deste medicamento e onde começa a expectativa inflada.

Então, antes de qualquer decisão sobre tomar Mounjaro, prossiga a leitura deste artigo para compreender seu mecanismo de ação, vantagens e os riscos potenciais.

O que é Mounjaro e para que ele foi desenvolvido?

Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, uma molécula criada a partir de pesquisas avançadas em endocrinologia com foco no controle metabólico do diabetes tipo 2.

Seu desenvolvimento partiu da necessidade de ir além dos tratamentos, antes limitados, sobre o controle da glicemia e resistência à insulina.

A tirzepatida surgiu como uma proposta inovadora ao atuar simultaneamente em dois receptores intestinais ligados à regulação metabólica: o GIP e o GLP 1.

Desde os primeiros estudos clínicos, o objetivo do Mounjaro foi oferecer um controle glicêmico com menor variabilidade e impacto direto sobre a secreção de insulina de forma dependente da glicose.

Isso significa a redução de episódios de hipoglicemia e um melhor equilíbrio metabólico.

Contudo, as pesquisas também observaram sua influência sobre o esvaziamento gástrico e a sinalização de saciedade, fatores ligados ao controle do peso.

A aprovação do Mounjaro ocorreu após estudos demonstrarem redução expressiva da hemoglobina glicada, como também sobre o perfil lipídico e marcadores inflamatórios.

Embora esses efeitos adicionais não tenham sido o alvo inicial, eles reforçaram o potencial do medicamento mais amplamente.

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Diferença entre Mounjaro e Ozempic

A comparação entre Mounjaro e Ozempic é comum, mas pertencem a classes diferentes de medicamentos.

O Ozempic é baseado na semaglutida, um agonista exclusivo do receptor GLP 1, já o Mounjaro atua estimulando tanto o GLP 1 quanto o GIP.

Essa diferença farmacológica interfere na magnitude dos efeitos metabólicos observados.

O GLP 1 está relacionado ao aumento da secreção de insulina, redução do glucagon e maior sensação de saciedade.

Já o GIP participa do metabolismo da glicose e dos lipídios, com influência sobre o tecido adiposo e a sensibilidade à insulina.

Ao combinar essas duas vias, o Mounjaro se torna mais eficiente que o Ozempic em termos de redução glicêmica e perda de peso.

Outro ponto de distinção está na resposta individual.

Algumas pessoas apresentam melhor tolerância gastrointestinal ao Mounjaro.

Para que o Mounjaro é indicado?

O uso do Mounjaro é oficialmente indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos que necessitam de melhor controle glicêmico.

Sua ação promove redução consistente da glicemia de jejum e pós-prandial, com impacto direto na hemoglobina glicada, um dos marcadores de controle na doença.

A tirzepatida age estimulando a liberação de insulina apenas quando os níveis de glicose estão elevados.

Essa ação torna o tratamento mais seguro em relação ao risco de hipoglicemia quando comparado a outras classes.

Contudo, o Mounjaro também é utilizado off-label para o controle da obesidade por meio da redução do apetite.

A redução de peso resultante melhora o controle glicêmico, além de impactar positivamente pressão arterial e o perfil lipídico.

Mounjaro pode ser usado para emagrecimento?

Embora o Mounjaro não tenha sido desenvolvido com foco no emagrecimento, ele pode ser considerado em casos de paciente com obesidade.

Esse efeito ocorre devido à:

  • Maior saciedade;
  • Redução do apetite;
  • Atraso do esvaziamento gástrico, mecanismos estimulados pela ação dupla da tirzepatida.

Atualmente, o uso do Mounjaro para emagrecimento é considerado off label.

Ou seja, não é a indicação primária descrita em bula, mas pode ser avaliado por médicos em situações específicas.

A decisão de usá-lo para este propósito parte da análise do histórico metabólico, presença de obesidade, resistência à insulina e risco cardiovascular.

A redução de gordura corporal está associada a melhora de marcadores inflamatórios, menor sobrecarga articular e melhor regulação hormonal.

Emtretanto, o tratamento exige acompanhamento multidisciplinar entre médicos e nutricionistas e mudanças de estilo de vida.

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Como o Mounjaro age no organismo?

Sua substância ativa, a tirzepatida, estimula dois receptores intestinais envolvidos na resposta metabólica após a alimentação.

Isso melhora a liberação de insulina de forma dependente da glicose, reduz a produção hepática de açúcar e diminui a liberação de glucagon, hormônio que eleva a glicemia.

Em outras palavras, o Mounjaro não força a liberação de insulina em momentos inadequados.

Ele responde ao ambiente metabólico do organismo, reduzindo o risco de hipoglicemia quando comparado a sulfonilureias.

Essa característica torna o medicamento útil para pessoas com histórico de oscilações glicêmicas graves.

Além do efeito direto na glicose, há melhora progressiva da sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos.

Isso significa que o corpo passa a utilizar melhor a glicose disponível, reduzindo sobrecarga pancreática.

Principais benefícios do Mounjaro

O Mounjaro apresenta um conjunto de efeitos metabólicos que vão além da redução da glicemia.

Contudo, os benefícios abaixo só se sustentam quando integrados a mudanças de estilo de vida;

  • Auxílio no controle do peso: A diminuição do apetite leva à redução da ingestão calórica, favorecendo a perda de gordura;
  • Melhora da sensibilidade à insulina: Os tecidos passam a responder melhor à insulina, reduzindo resistência metabólica;
  • Menor variabilidade glicêmica: Há menos picos e quedas bruscas de glicose ao longo do dia;
  • Facilidade posológica: A aplicação semanal favorece a adesão ao tratamento quando bem orientada.

Relação do Mounjaro com apetite e saciedade

A influência do Mounjaro sobre o apetite ocorre por meio da modulação de sinais hormonais que conectam intestino e cérebro.

A ativação dos receptores envolvidos nesse eixo reduz a velocidade do esvaziamento gástrico e intensifica a sensação de saciedade.

Assim, ocorre diminuição espontânea da ingestão calórica, sem necessidade de restrição consciente constante.

Esse efeito não está relacionado a estímulo de gasto energético ou aceleração do metabolismo.

Ele age reduzindo a fome fisiológica e o impulso alimentar, levando os usuários a comerem menos.

Por isso, usar Mounjaro exige atenção, já que a queda abrupta do apetite pode levar a deficiências nutrientes graves se não houver orientação nutricional.

Cabe lembrar que o medicamento não reorganiza hábitos alimentares nem corrige padrões comportamentais associados à alimentação.

Ele atua como modulador biológico da fome, criando uma janela de oportunidade para intervenções nutricionais bem conduzidas.

Sem esse suporte, os efeitos tendem a ser transitórios.

Caso o paciente que utiliza Mounjaro emagrecer não faça tenha apoio nutricional, os hábitos alimentares insalubres podem ressurgir, e com eles, o reganho de peso.

Quem pode usar Mounjaro e quem deve evitar?

O Mounjaro é indicado para:

  • Adultos com diabetes tipo 2 que não alcançaram controle glicêmico com mudanças de estilo de vida e terapias convencionais;
  • Pessoas com resistência à insulina importante;
  • Pessoas com excesso de peso que possuem dificuldade no controle da glicose, mesmo sem diabetes;
  • Pessoas com obesidade associada a alterações metabólicas relevantes;
  • Também pode ser avaliado em indivíduos com risco cardiovascular elevado, já que a melhora do perfil metabólico impacta pressão arterial, sistêmica e composição corporal.

Em qualquer um desses casos, a consideração de uso depende de avaliação profissional.

Como é feito o uso do Mounjaro?

O uso do Mounjaro é feito por aplicação subcutânea.

A injeção é administrada abaixo da pele, e não no músculo ou na veia.

A caneta aplicadora já vem pronta para uso, com dose definida, reduzindo erros de preparo, mas não elimina a necessidade de orientação correta.

A aplicação é semanal, sempre no mesmo dia da semana, e pode ser realizada na região do abdômen, coxa ou parte posterior do braço.

A escolha do local deve respeitar o rodízio de áreas para evitar irritação, endurecimento da pele ou desconforto.

O início do tratamento segue uma progressão gradual de dose, chamada titulação.

Assim, permite ao organismo se adaptar e reduz a chance de efeitos colaterais gastrointestinais.

Aumentar a dose por conta própria ou aplicar volumes além do que foi prescrito é potencialmente perigoso.

Contraindicações extremas

O uso de Mounjaro é contraindicado para pessoas com:

  • Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide;
  • Diagnóstico de síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2;
  • Histórico de pancreatite associada ao uso de medicamentos incretínicos, já que o Mounjaro pode desencadear novos episódios de inflamações prévias do pâncreas;
  • Gestantes e lactantes, pois não há dados suficientes que comprovem segurança durante a gestação ou amamentação;
  • Pessoas com doenças gastrointestinais graves, já que o Mounjaro atua sobre o esvaziamento gástrico e a motilidade intestinal.

Nesses casos, o risco potencial supera qualquer benefício esperado, mesmo em doses consideradas baixas.

Riscos e efeitos colaterais do Mounjaro

Apesar dos benefícios, o uso do Mounjaro envolve riscos que precisam ser considerados desde o início:

  • Náuseas e desconforto gastrointestinal: São comuns e estão relacionados à titulação inadequada da dose;
  • Redução excessiva do apetite: Pode levar a consumo insuficiente de proteínas, vitaminas e minerais;
  • Sensação de estufamento: O atraso no esvaziamento do estômago faz com que pequenas quantidades de alimento provoquem saciedade intensa;
  • Refluxo gastroesofágico: Pode ocorrer pelo maior tempo de permanência do alimento no estômago. Azia, queimação e gosto ácido na boca pioram quando há refeições de alto teor lipídico;
  • Constipação intestinal: Resulta da diminuição da motilidade intestinal associada à menor ingestão de alimentos e líquidos;
  • Diarreia: Geralmente transitória, aparece nas fases iniciais como resposta do intestino à alteração hormonal e digestiva. Em alguns casos, alterna com constipação;
  • Redução excessiva do apetite: Quando não monitorado, leva à ingestão insuficiente de proteínas, fibras, vitaminas e minerais, favorecendo a perda de massa magra e desnutrição;
  • Fraqueza e cansaço: Surgem como consequência indireta da baixa ingestão calórica e nutricional. Costumam estar ligados ao manejo inadequado da dieta sem acompanhamento com nutricionistas durante o uso;
  • Tontura e sensação de mal-estar: Mais frequentes em pessoas com histórico de hipoglicemia ou que reduzem drasticamente o consumo alimentar;
  • Desidratação: Pode ocorrer quando náuseas, vômitos ou diarreia se combinam com baixa ingestão hídrica;
  • Dor abdominal: Pode ser difusa ou localizada, relacionada à adaptação gastrointestinal. Dor persistente ou intensa não deve ser ignorada;
  • Pancreatite: Evento raro, porém grave. Dor abdominal intensa e contínua, acompanhada de náuseas e vômitos, exigindo suspensão imediata do uso do Mounjaro e investigação médica.
  • Alterações no paladar: Alguns usuários relatam mudança na percepção de sabores, especialmente para alimentos gordurosos ou muito doces,.

Efeitos adversos a longo prazo

De acordo com um estudo de 2025, 82% dos usuários de Mounjaro ganham peso novamente após o fim do tratamento.

Portanto, o maior risco no uso do Mounjaro não está apenas no medicamento, mas no que acontece depois.

A redução do apetite é farmacológica, porém não ensina o corpo nem a mente a lidarem com a alimentação no pós-tratamento.

Quando o uso é interrompido sem monitoramento com nutricionista, o efeito rebote passa a ser uma consequência comum.

Sem reeducação alimentar e acompanhamento, o peso tende a retornar, muitas vezes chegando à recuperação de 25% que havia sido eliminado.

O medicamento pode abrir uma janela de oportunidade, mas é o plano nutricional que solidifica essa mudança.

Portanto, conheça nossos planos de acompanhamento nutricional e transforme o uso do Mounjaro em resultados consistentes, seguros e sustentáveis ao longo do tempo.

Quem pode prescrever Mounjaro?

O Mounjaro é um medicamento de uso controlado.

Até o momento, apenas médicos legalmente habilitados podem avaliar a indicação, conduzir a titulação e monitorar os efeitos adversos.

Mas cabe lembrar que somente o nutricionista pode fazer ajustes alimentares, conforme a Lei Federal nº 8.234, de 17 de setembro de 1991, que determina que a prescrição dietética é uma atividade privativa desse profissional. 

Sem a união médico/nutricionista, o risco de perda inadequada de peso, queda de desempenho metabólico e efeito rebote aumenta drasticamente.

Riscos da automedicação

A automedicação representa um dos maiores riscos associados ao uso do Mounjaro para emagrecer.

A compra por vias informais, especialmente por importação clandestina, elimina qualquer garantia de procedência, conservação adequada e padronização de dose.

Medicamentos adquiridos por canais informais não oferecem qualquer rastreabilidade.

Não há garantia de autenticidade, nem controle sobre armazenamento, validade ou integridade da caneta.

Exposição a temperaturas inadequadas pode inativar o fármaco, mesmo que o produto aparente estar em boas condições.

Como obter Mounjaro no Brasil?

A compra do Mounjaro deve ocorrer exclusivamente em farmácias autorizadas com a retenção de receita médica validada pela Anvisa.

Esse processo garante que o produto tenha procedência conhecida e oferece segurança ao paciente durante o tratamento.

Conclusão

O Mounjaro é uma ferramenta potente, mas não funciona sozinho.

Resultados reais e duradouros dependem de acompanhamento nutricional e médico no pós-tratamento.

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PERGUNTAS FREQUENTES

Mounjaro é melhor que Ozempic?

O Mounjaro costuma gerar uma perda de peso maior em muitos casos, mas isso não significa que seja a melhor escolha para todo mundo.

É possível manter o peso depois de parar o Mounjaro?

Sem mudanças consistentes na alimentação, rotina de exercícios e acompanhamento profissional, o risco de recuperar o peso é alto.

Mounjaro emagrece sem dieta e exercício?

O medicamento ajuda bastante no controle do apetite e do metabolismo, mas sozinho raramente sustenta resultados no longo prazo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Garvey  WT, Mechanick  JI, Brett  EM,  et al; Reviewers of the AACE/ACE Obesity Clinical Practice Guidelines. American Association of Clinical Endocrinologists and American College of Endocrinology comprehensive clinical practice guidelines for medical care of patients with obesity. Endocr Pract. 2016.

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Rubino  F, Cummings  DE, Eckel  RH,  et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025

*Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui o diagnóstico ou tratamento de um médico ou nutricionista. As informações aqui apresentadas não devem ser aplicadas de forma individual sem orientação profissional.

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