Antidepressivo e ganho de peso: como não engordar no tratamento

Antidepressivo e ganho de peso

O uso de antidepressivo e ganho de peso gera dúvidas logo nas primeiras semanas de tratamento. 

Muitas pessoas percebem aumento do apetite ou mudanças na relação com a comida e acabam interrompendo a medicação por conta própria. 

O problema é que nem todo aumento na balança significa acúmulo de gordura, e nem todos os antidepressivos provocam esse efeito.

Também há casos em que o paciente volta a comer normalmente após melhora da depressão e interpreta essa recuperação do apetite como um efeito colateral direto do remédio.

Continue lendo para entender o que realmente influencia esse processo.

Por que alguns antidepressivos podem causar ganho de peso?

O ganho de peso associado aos antidepressivos acontece por diferentes mecanismos. 

Alguns medicamentos alteram neurotransmissores ligados à fome, ao prazer alimentar e à saciedade, criando um cenário em que a pessoa passa a sentir mais vontade de comer.

A serotonina, por exemplo, participa da regulação do apetite. 

Certos antidepressivos modificam sua ação cerebral e podem aumentar o interesse por alimentos mais calóricos, especialmente doces e carboidratos refinados. 

Em alguns casos, a fome aparece principalmente à noite, acompanhada de episódios de belisco frequente.

Além disso, algumas medicações reduzem o gasto energético indireto porque causam:

  • Sonolência;
  • Cansaço;
  • Redução da disposição física;
  • Diminuição da prática de exercícios;
  • Aumento do tempo sedentário.

Pessoas com depressão podem passar períodos com baixa ingestão alimentar durante a fase aguda da doença. 

Quando o tratamento começa a funcionar, o apetite retorna. 

Isso pode ser interpretado como “efeito do remédio”, quando na verdade parte do ganho de peso representa uma recuperação do padrão alimentar anterior.

Existem também antidepressivos com ação anti-histamínica mais forte, associados ao aumento da fome e maior facilidade para armazenar gordura corporal. 

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Alterações no apetite, saciedade e compulsão alimentar

Uma das mudanças mais comuns durante o uso de antidepressivos envolve a forma como o cérebro responde à fome e à saciedade. 

Nem sempre o problema está apenas em “comer mais”. 

Em muitos casos, a dificuldade aparece porque o organismo passa a aumentar a frequência alimentar ao longo do dia sem que a pessoa perceba.

Alguns antidepressivos aumentam o desejo por alimentos altamente palatáveis.

Esse efeito pode estar ligado à modulação da serotonina e da dopamina, neurotransmissores relacionados à sensação de prazer e recompensa. 

Como consequência, comer passa a gerar maior conforto emocional, especialmente em períodos de ansiedade ou estresse.

A pessoa se alimenta, mas sente necessidade de continuar comendo pouco tempo depois. Isso favorece:

  • Beliscos frequentes;
  • Aumento do tamanho das porções;
  • Episódios noturnos de alimentação;
  • Compulsão alimentar episódica.

Também existem situações em que a melhora do humor leva ao retorno do prazer em comer. 

Pessoas que estavam deprimidas frequentemente passam períodos com pouco apetite, alimentação irregular e perda involuntária de peso. 

Quando o quadro emocional melhora, a ingestão alimentar volta ao normal e isso pode ser confundido com um efeito metabólico do medicamento.

Retenção de líquidos ou aumento real de gordura?

Nem toda alteração na balança durante o uso de antidepressivos significa ganho real de gordura corporal. 

Em muitos casos, o aumento de peso nas primeiras semanas está relacionado à retenção de líquidos, alterações intestinais ou inflamação transitória, especialmente quando existe mudança brusca na alimentação e no padrão hormonal.

A retenção hídrica costuma causar:

  • Sensação de inchaço;
  • Aumento rápido do peso em poucos dias;
  • Roupas mais apertadas;
  • Edema leve;
  • Maior volume corporal sem aumento significativo de gordura.

Além disso, mudanças no sono, no cortisol e no comportamento alimentar também favorecem retenção líquida temporária.

Já o ganho de gordura corporal ocorre de maneira mais lenta e progressiva. 

Normalmente envolve aumento sustentado da ingestão calórica associado à redução do gasto energético. 

Nesse caso, existe crescimento gradual das medidas corporais e maior acúmulo de gordura abdominal ao longo dos meses, acompanhado de:

  • Crescimento contínuo do peso;
  • Aumento da circunferência abdominal;
  • Redução da definição corporal;
  • Aumento das dobras cutâneas;
  • Piora progressiva da composição corporal.

Por isso, avaliar apenas o número da balança pode gerar interpretações equivocadas. 

Em muitos casos, o paciente interrompe o antidepressivo acreditando que está “engordando rapidamente”, quando parte da alteração envolve retenção hídrica inicial ou recuperação do peso perdido durante a fase depressiva.

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Diferença entre ganho de peso inicial e progressivo

O ganho de peso durante o tratamento antidepressivo nem sempre segue o mesmo padrão. 

Existe uma diferença importante entre alterações iniciais, que podem ocorrer nas primeiras semanas, e um ganho progressivo, que tende a se desenvolver ao longo de meses de uso contínuo.

O ganho inicial costuma acontecer rapidamente e nem sempre representa aumento de gordura corporal. 

Nessa fase, fatores como retenção de líquidos, melhora do apetite e reorganização da alimentação influenciam bastante o peso. 

Algumas pessoas que passaram semanas comendo pouco devido à depressão começam a recuperar o consumo alimentar habitual assim que o tratamento começa a fazer efeito.

Esse processo pode gerar:

  • Aumento rápido de 1 a 3 kg;
  • Sensação de inchaço;
  • Maior fome temporária;
  • Aumento da ingestão de carboidratos;
  • Melhora do prazer em comer.

Já o ganho progressivo apresenta outro comportamento. 

O aumento ocorre lentamente, mês após mês, geralmente associado a alterações metabólicas e comportamentais mais persistentes. 

O tempo de uso influencia bastante esse processo.

Certos medicamentos apresentam impacto pequeno no início, mas podem favorecer ganho de peso após uso prolongado.

Todos os antidepressivos engordam?

Nem todos os antidepressivos provocam ganho de peso. 

Essa é uma das maiores confusões sobre o tratamento psiquiátrico. 

Existem medicamentos com maior associação ao aumento do apetite e do peso corporal, enquanto outros apresentam impacto mínimo no metabolismo ou até podem causar redução de peso em alguns pacientes.

A resposta varia conforme:

  • Classe do antidepressivo;
  • Dose utilizada;
  • Tempo de tratamento;
  • Perfil metabólico individual;
  • Presença de compulsão alimentar;
  • Hábitos alimentares.

Entre os antidepressivos mais associados ao ganho de peso estão alguns tricíclicos e medicamentos com ação anti-histamínica importante, que aumentam a fome e favorecem sedação:

  • Doxetina;
  • Paroxetina;
  • Amitriptilina;
  • Clomipramina;
  • Mirtazapina;
  • Nortriptilina;
  • Imipramina;
  • Venlafaxina;
  • Desvenlafaxina.
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Medicamentos com menor impacto no metabolismo

Alguns medicamentos apresentam perfil mais neutro, sendo escolhidos para pacientes com histórico de obesidade, compulsão alimentar, resistência à insulina ou grande preocupação com alterações corporais.

A bupropiona é uma das medicações mais conhecidas nesse contexto. 

Ela atua principalmente sobre dopamina e noradrenalina, sem aumentar de forma relevante o apetite. Em parte dos pacientes, pode ocorrer:

  • Redução da fome;
  • Menor compulsão alimentar;
  • Manutenção do peso;
  • Discreta perda de peso.

Entre os ISRS, a fluoxetina normalmente apresenta menor impacto metabólico no início do tratamento. 

Algumas pessoas relatam até diminuição do apetite nas primeiras semanas. No entanto, esse efeito pode não se manter a longo prazo em todos os casos.

Outros antidepressivos frequentemente considerados mais neutros incluem:

  • Duloxetina;
  • Vortioxetina;
  • Agomelatina.

Apesar disso, “baixo risco” não significa ausência total de alterações corporais. 

O metabolismo continua sendo influenciado por diversos fatores paralelos, como:

  • Padrão alimentar;
  • Qualidade do sono;
  • Sedentarismo;
  • Ansiedade;
  • Consumo de álcool;
  • Compulsão alimentar;
  • Alterações hormonais.

Por isso, trocar medicação apenas por medo de engordar pode comprometer o controle emocional e piorar o quadro geral.

Quando conversar com o médico sobre troca de medicação

O ganho de peso durante o uso de antidepressivos não deve ser ignorado, principalmente quando começa a afetar saúde metabólica, autoestima ou adesão ao tratamento. 

É importante procurar avaliação quando houver:

  • Aumento progressivo e persistente do peso;
  • Compulsão alimentar frequente;
  • Fome excessiva difícil de controlar;
  • Piora importante da composição corporal;
  • Elevação da glicemia e colesterol;
  • Sedação intensa;
  • Redução significativa da disposição física.

Também vale conversar sobre ajuste terapêutico quando o paciente percebe que o impacto metabólico está aumentando o risco cardiovascular.

Em muitos casos, a troca do antidepressivo não é a primeira estratégia. Antes disso, o médico pode avaliar:

  • Ajuste de dose;
  • Horário da medicação;
  • Associação com atividade física;
  • Acompanhamento nutricional;
  • Tratamento da compulsão alimentar;
  • Melhora da qualidade do sono.

A substituição inadequada pode causar piora emocional, recaídas depressivas e sintomas de descontinuação.

Como não ganhar peso tomando antidepressivo

A maior parte das estratégias preventivas depende da rotina construída desde o início do tratamento. 

Quando a alimentação continua desorganizada, o sono permanece irregular e o nível de atividade física cai, o risco metabólico aumenta independentemente da medicação. 

Em contrapartida, pacientes que monitoram hábitos precocemente costumam apresentar muito mais estabilidade no peso ao longo dos meses.

Alguns cuidados ajudam a reduzir esse impacto:

  • Manter horários regulares para refeições;
  • Evitar longos períodos de jejum;
  • Priorizar alimentos com maior saciedade;
  • Organizar lanches intermediários;
  • Reduzir consumo de ultraprocessados;
  • Melhorar qualidade do sono;
  • Monitorar medidas corporais.

Também é comum que antidepressivos mais sedativos diminuam a disposição física. 

Pequenas reduções no movimento diário já podem contribuir para ganho progressivo de gordura corporal sem que a pessoa perceba.

Ajustes na alimentação

O primeiro erro costuma ser diminuir exageradamente a ingestão de comida por medo de engordar. Isso normalmente piora o cenário. 

Longos períodos em jejum aumentam fome compensatória, favorecem beliscos e elevam consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura no fim do dia.

O ideal é manter refeições estruturadas com boa distribuição de nutrientes. 

Quando existe estabilidade glicêmica, o organismo tende a responder melhor às oscilações de apetite provocadas pela medicação.

Algumas estratégias alimentares ajudam bastante:

  • Priorizar proteínas em todas as refeições;
  • Aumentar consumo de vegetais ricos em fibras;
  • Reduzir bebidas açucaradas;
  • Evitar excesso de ultraprocessados;
  • Fracionar refeições quando houver fome excessiva;
  • Manter rotina alimentar previsível.

Também vale atenção para alimentação noturna. 

Alguns pacientes sentem mais fome no fim do dia devido à sedação causada pela medicação ou à redução do controle inibitório relacionada ao cansaço mental.

Dietas muito restritivas raramente funcionam nesse contexto. Quanto maior a restrição, maior tende a ser a compulsão compensatória depois.

Estratégias para evitar “beliscos” ao longo do dia

Antidepressivos que alteram serotonina e histamina aumentam a vontade de comer por impulso, especialmente em momentos de ansiedade, tédio, fadiga ou sonolência. 

A pessoa abre armários várias vezes ao dia, procura doces após refeições ou sente necessidade constante de mastigar algo.

Algumas estratégias ajudam a reduzir esse padrão:

  • Estabelecer horários fixos para refeições;
  • Evitar ficar muitas horas sem comer;
  • Deixar alimentos ultraprocessados menos acessíveis;
  • Planejar lanches com proteína e fibra;
  • Identificar gatilhos emocionais;
  • Melhorar a qualidade do sono.

Importância da hidratação no controle do apetite

A hidratação costuma ser negligenciada quando o assunto é antidepressivo e ganho de peso, mas ela interfere na regulação do apetite, no funcionamento metabólico e até na percepção de fome ao longo do dia.

Além disso, a hidratação adequada melhora o funcionamento intestinal, algo importante porque alguns antidepressivos podem provocar constipação. 

Quando o intestino desacelera, a sensação de inchaço aumenta e muitas pessoas interpretam isso como ganho rápido de gordura corporal.

A água não reduz gordura corporal diretamente, mas ajuda na organização do comportamento alimentar. 

Pessoas bem hidratadas tendem a apresentar menor frequência de fome falsa e melhor percepção de saciedade.

Nutrientes que ajudam no equilíbrio do humor e do metabolismo

Durante o uso de antidepressivos, manter ingestão adequada desses compostos pode ajudar tanto no equilíbrio do humor quanto na estabilidade metabólica.

Dietas muito pobres em proteína aumentam a fome, reduzem a saciedade e favorecem o consumo excessivo de carboidratos simples.

O triptofano também merece atenção especial por ser precursor da serotonina. Ele está presente em alimentos como:

  • Ovos;
  • Queijos;
  • Iogurte natural;
  • Frango;
  • Peixes;
  • Oleaginosas.

Outro grupo importante são os ácidos graxos ômega-3, relacionados à modulação inflamatória e ao funcionamento cerebral. Fontes relevantes incluem:

  • Sardinha;
  • Salmão;
  • Atum;
  • Linhaça;
  • Chia.

O magnésio é outro nutriente associado à regulação neuromuscular e ao controle do estresse. 

Baixa ingestão pode contribuir para pior qualidade do sono e aumento da ansiedade.

Nenhum nutriente isolado resolve alterações emocionais ou metabólicas sozinho. 

O que faz diferença é o contexto alimentar completo, associado a sono adequado, atividade física e acompanhamento clínico individualizado.

Sinais de que o aumento de peso está fora do esperado

Quando o peso sobe de forma persistente ao longo dos meses, vale investigar se existe efeito metabólico relevante relacionado à medicação.

Outros sinais merecem atenção:

  • Aumento rápido das medidas corporais;
  • Fome intensa e constante;
  • Compulsão alimentar frequente;
  • Sonolência excessiva;
  • Inchaço persistente;
  • Acúmulo abdominal importante;
  • Dificuldade crescente para emagrecer.

Mudanças metabólicas mais expressivas também podem surgir acompanhadas de:

  • Cansaço excessivo;
  • Alteração de colesterol;
  • Resistência à insulina;
  • Aumento da glicemia;
  • Piora do condicionamento físico.

Nem sempre o antidepressivo é o único responsável.

Algumas pessoas começam a evitar atividades sociais, reduzem a autoestima e cogitam abandonar o tratamento por causa das alterações corporais. 

Nesses casos, a avaliação médica se torna ainda mais importante para equilibrar controle psiquiátrico e qualidade de vida.

Alterações hormonais que podem estar associadas

O ganho de peso durante o uso de antidepressivos nem sempre acontece apenas pelo aumento do apetite. 

Em alguns casos, existem alterações hormonais associadas que contribuem para a desaceleração metabólica, retenção de líquidos e maior acúmulo de gordura corporal.

O cortisol é um dos hormônios mais envolvidos nesse contexto. 

Pessoas com ansiedade crônica e depressão frequentemente apresentam desregulação do eixo do estresse por longos períodos. 

Alterações da tireoide também precisam ser investigadas, principalmente quando surgem:

  • Cansaço intenso;
  • Retenção de líquidos;
  • Queda de cabelo;
  • Lentidão metabólica;
  • Constipação.

O hipotireoidismo leve pode passar despercebido e ser confundido com efeito exclusivo da medicação.

Nas mulheres, oscilações hormonais relacionadas à menopausa, síndrome dos ovários policísticos e alterações menstruais também podem potencializar ganho de peso durante o tratamento antidepressivo.

Exames que ajudam a investigar mudanças metabólicas

Quando o ganho de peso durante o tratamento antidepressivo foge do esperado, alguns exames ajudam a identificar alterações metabólicas associadas. 

A avaliação laboratorial costuma investigar fatores ligados ao metabolismo, controle glicêmico, função hormonal e risco cardiovascular:

  • Glicemia de jejum;
  • Hemoglobina glicada;
  • Insulina;
  • Perfil lipídico;
  • TSH;
  • T4 livre;
  • Função hepática.

A realização de exames não significa necessariamente que o antidepressivo precise ser interrompido. 

Em diversos casos, ajustes nutricionais e mudanças comportamentais já melhora bastante os parâmetros metabólicos sem necessidade de troca medicamentosa.

Importância do acompanhamento nutricional

O acompanhamento nutricional pode fazer grande diferença durante o tratamento com antidepressivos, principalmente quando existe aumento do apetite, compulsão alimentar ou ganho progressivo de peso. 

Muitas vezes o paciente percebe mudanças no corpo, mas não consegue identificar exatamente quais hábitos estão favorecendo esse processo.

Há também quem desenvolva alimentação emocional relacionada à melhora ou piora dos sintomas psiquiátricos.

A abordagem nutricional considera todo esse contexto. Dietas extremamente restritivas pioram a relação com a comida e aumentam o risco de compulsão alimentar.

O acompanhamento profissional ajuda na construção de estratégias sustentáveis:

  • Organização das refeições;
  • Controle da fome excessiva;
  • Planejamento alimentar;
  • Aumento da saciedade;
  • Redução de episódios impulsivos;
  • Melhor distribuição de nutrientes.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ritchie H, Roser M. Mental Health. Our World in Data; (2018). 

Lunghi C, Dugas M, Leclerc J, et al. Global prevalence of antidepressant drug utilization in the community: protocol for a systematic review. BMJ open 12 (2022).

Strawn JR, Geracioti L, Rajdev N, et al. Pharmacotherapy for generalized anxiety disorder in adult and pediatric patients: an evidence-based treatment review. Expert Opin Pharmacother (2018).

*Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui o diagnóstico ou tratamento de um médico ou nutricionista. As informações apresentadas não devem ser aplicadas de forma individual sem orientação profissional.

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