Entender como ler um exame de colesterol vai além de olhar números e decidir se estão “bons” ou “ruins”.
Números, siglas e valores de referência aparecem lado a lado, mas nem sempre fica claro o que realmente importa.
A boa notícia é que qualquer pessoa consegue entender o básico do que está acontecendo no organismo.
Portanto, siga lendo e confira um passo a passo de como ler seu exame de colesterol.
O que é o exame de colesterol e frações?
O exame de colesterol, também conhecido como lipidograma, é um exame de sangue simples que mede a quantidade total de colesterol circulando no seu corpo naquele momento.
Ele entrega uma visão geral do que está acontecendo no seu sangue.
Esse exame não é só para quem já tem algum problema. Ele também é usado para:
- Avaliar risco de doenças do coração;
- Acompanhar quem já tem colesterol alto;
- Monitorar dieta e estilo de vida;
- Ver se medicamentos estão funcionando.
De forma simples:
- LDL alto + HDL baixo → sinal de alerta
- Triglicerídeos altos → atenção com alimentação e metabolismo
- HDL alto → fator protetor
O que você precisa saber antes de aprender a ler o exame de colesterol
Seu exame pode ter várias coisas misturadas, como valores de glicemia, ureia, creatinina. Ignore tudo por enquanto.
Todos esses indicadores vêm com “mg/dl”. Isso só indica a unidade de medida. Não precisa decorar nem interpretar.
O que importa, no momento, é o número.
Comece identificando o tipo de exame de colesterol
O exame de colesterol geralmente faz parte do chamado perfil lipídico. Nele, aparecem quatro indicadores principais:
- Colesterol total
- HDL (o “bom” colesterol)
- LDL (o “ruim” colesterol)
- Triglicerídeos
Alguns exames podem incluir também VLDL ou não-HDL, mas os quatro primeiros já dão um panorama confiável da sua saúde.

Colesterol total
O colesterol total é a soma de todas as frações do seu exame. Pense nele como um “resumo da história”.
Agora, observe os valores de referência ao lado. Eles indicam o limite máximo que o colesterol total deve estar:
- Abaixo de 190 mg/dl → desejável
- Entre 200 e 239 mg/dl → atenção
- Acima de 240 mg/dl → elevado
No exemplo, o resultado é 260 enquanto os valores de referência do laboratório é < 200, o que indica que está elevado.
Contudo, o colesterol total não deve ser considerado sozinho.
Ele pode estar normal mesmo com desequilíbrio entre HDL e LDL.
Entenda o HDL (o colesterol bom)
Quando você olha um exame de colesterol e vê LDL e HDL, está vendo duas formas diferentes de o colesterol circular no sangue.
O colesterol em si é uma substância só. O que muda é a forma como ele é transportado.
Pense nisso como dois tipos de “veículos” carregando colesterol pelo corpo. Um tende a acumular gordura, o outro ajuda a limpar.
HDL significa lipoproteína de alta densidade.
Ele pega o excesso de colesterol que está circulando, leva de volta para o fígado, onde será reaproveitado ou eliminado.
As referências gerais incluem:
- Abaixo de 40 mg/dl → baixo
- Entre 40 e 59 mg/dl → aceitável
- Acima de 60 mg/dl → protetor
Um HDL alto costuma ser associado a menor risco cardiovascular. Ele funciona como uma espécie de “limpeza” do sistema.

Analise o LDL com atenção
O LDL significa lipoproteína de baixa densidade.
Mas esqueça o nome técnico por um segundo. O que realmente importa é que ele:
- Leva colesterol do fígado para os tecidos;
- Quando sobra, esse excesso pode se depositar nas artérias;
- Com o tempo, o acúmulo forma placas de gordura, que dificultam a passagem do sangue.
Por isso, você vai ver muita gente chamando o LDL de colesterol ruim.
Contudo, não é que ele seja “ruim” sempre. O corpo precisa dele. O problema começa quando está em excesso.
No exemplo, o LDL está em 175 mg/dl, considerado alto.
Mas esteja atento aos valores de referência ao ler um exame de colesterol:
- Abaixo de 100 mg/dl → ótimo
- 100 a 129 mg/dl → aceitável
- 130 a 159 mg/dl → limítrofe
- 160 a 189 mg/dl → alto
- Acima de 190 mg/dl → muito alto
O valor ideal pode mudar dependendo do risco individual. Pessoas com diabetes, histórico cardíaco ou pressão alta costumam ter metas mais rígidas.
Observe os triglicerídeos (quando presentes)
Triglicerídeos são a forma como o corpo guarda energia em forma de gordura. Tudo que você come e não usa na hora, pode virar triglicerídeo.
Os triglicerídeos quase sempre fazem parte do exame de colesterol.
Valores de referência no exame de colesterol indicam:
- Abaixo de 150 mg/dl → normal
- 150 a 199 mg/dl → limítrofe
- 200 a 499 mg/dl → alto
- Acima de 500 mg/dl → muito alto
Eles estão mais ligados ao consumo de açúcar, álcool e excesso calórico do que ao colesterol em si, mas influenciam diretamente o risco metabólico.
Compare com os valores de referência do laboratório
Cada exame traz uma coluna chamada “valores de referência”. É ali que você deve conferir se os números estão dentro do esperado.
Mas atenção: esses valores podem variar conforme o laboratório. E eles não substituem a análise individual.
Um número “normal” no papel pode não ser ideal para alguém com risco elevado.
Se você quiser transformar tudo isso em um passo a passo rápido, fica assim:
- Ache colesterol total → veja se está abaixo de 190;
- Ache HDL → veja se está acima de 40;
- Ache LDL → veja se está abaixo de 100.
Entenda o contexto, não só os números
Um exame isolado não define nada sozinho. Considere também:
- Seu histórico familiar;
- Peso corporal atual;
- Alimentação;
- Nível de atividade física;
- Presença de doenças como diabetes ou hipertensão.
Por exemplo, alguém com LDL de 120 mg/dl pode estar saudável em um contexto e precisar de ajuste em outro.
Verifique se houve preparo adequado
O resultado do seu exame de colesterol pode ser influenciado por fatores simples:
- Período de jejum inadequado;
- Consumo de álcool no dia anterior;
- Condições clínicas recentes;
- Uso de medicamentos.
Se algo disso aconteceu, vale a pena repetir o exame antes de tirar conclusões.
Saiba quando procurar orientação
Mesmo entendendo os números, a interpretação final deve considerar o quadro completo do paciente.
Em todo caso, procure ajuda de um nutricionista quando:
- LDL estiver acima do ideal;
- HDL estiver baixo;
- Triglicerídeos elevados;
- Existirem outros fatores de risco, como doenças associadas.
Conclusão
Ler um exame de colesterol não precisa ser complicado. Quando você segue uma sequência lógica, tudo começa a fazer sentido.
Primeiro, identifique os indicadores. Depois, compare com os valores de referência. Em seguida, observe o equilíbrio entre eles e, por fim, encaixe tudo no seu contexto.
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PERGUNTAS FREQUENTES
O resultado do colesterol pode variar de um exame para outro?
Sim, pequenas variações são normais. Alimentação recente, consumo de álcool, nível de estresse e até noites mal dormidas podem influenciar temporariamente os valores.
Exercício físico interfere no resultado do exame?
Interfere sim. Atividade física regular tende a aumentar o HDL e melhorar o perfil geral, mas exercícios intensos muito próximos da coleta podem alterar momentaneamente alguns resultados.
Preciso estar em jejum para fazer exame de colesterol?
Depende do laboratório e do que foi solicitado. Hoje, muitos exames de colesterol podem ser feitos sem jejum, mas quando incluem triglicerídeos, o jejum de 8 a 12 horas ainda pode ser recomendado para maior precisão.
Medicamentos podem alterar o colesterol?
Podem. Alguns remédios ajudam a reduzir o colesterol, enquanto outros podem elevar certas frações. Por isso, é sempre importante considerar o uso de medicamentos na hora de interpretar o exame.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025.
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BALLING, M.; et al. VLDL Cholesterol Accounts for One-Half of the Risk of Myocardial Infarction Associated With apoB-Containing Lipoproteins. J Am Coll Cardiol, 2020.
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